31 dezembro 2010

Dance, Dance , Dance to the Radio!

O É Só Bons Meninos vai ser um programa de radio!
Começa no próximo Domingo (ou antes, de Domingo para Segunda, o horario vai ser 00-01h)
Depois irei por o podcast disponivel aqui no blog.
Ouçam!
E se quiserem começem a ouvir logo as 22h, que ate a meia-noite as musicas são responsabilidade dos colegas e amigos da Masmorra Infernal do Sr. Satanás.
Bom ano a todos!

30 dezembro 2010

escolhas para vinte dez

“Twenty-twenty-twenty four hours to go I wanna be sedated
Nothin' to do no where to go-o-oh I wanna be sedated
Just get me to the airport put me on a plane
Hurry hurry hurry before I go insane (…)”

Eis um novo ano que se aproxima (dez onze) e com ele a paranóia das listinhas e dos melhores do ano e as melhores músicas e os melhores filmes… como se alguém definisse secretamente uma escala validada por si próprio em que a comparação é possível sem recorrer à teoria implícita da semelhança. Adiante…

Os álbuns que eu mais gostei em 2010 (ou seja podem não ser álbuns do mesmo ano ou então também podem… estou confuso!):

1. Blood Red Shoes – Fire Like This (2010)
Surgido na sequência do album Box of Secrets de 2008 é em tudo melhor ou igual à sua fabulosa estreia. São um duo que arrebata quer pelo som quer pela energia quer pela vocalista (lol). É um álbum em que não tirava uma música e isso justifica por si só a minha escolha! É rock do bom é post-punk pós queixos!
2. Klaxons – Surfing The Void (2010)
Os Klaxons surgiram em 2010 em grande estilo com um produtor vindo do “nu metal” para fazerem um disco soberbo. Afirmaram definitivamente a sua posição no panorama internacional com recurso a um som menos polido e mais cru. Um dos grandes álbuns do ano.
3. LCD Soundsystem – This is Happening (2010)
O Sr. Murphy não sabe fazer mal. Tudo o que faz até pode fazer menos bem mas mal não sabe fazer. É o ícon da geração zero zeros e bem o merece. Mais um álbum fabuloso para o futuro recordar e lhe tirar o chapéu.
4. The Blows – Upskirts (2007)
Estes rapazes são uma maravilha! Banda de Vigo que vos falei aqui na estante foram uma constante comigo durante este ano.
5. Operator Please – Gloves (2010)
Estes australianos levaram-me a comprar a discografia completa após a descoberta deste recente trabalho de 2010. Um nome que me encheu parte do ano.
6. Motorama - Alps (2010)
Moscovitas lançaram um album gratuito em 2010 com uma qualidade rara. Uma verdadeira pérola do pos-punk em 2010.
7. Foals – Total Life Forever (2010)
Reapareceram dois anos depois com muita mais maturidade e com um album forte e cheio de emoções. Não digo que é melhor que o Antidotes porque sou um fã incondicional mas acredito que é um dos álbuns que ficará para a história de vinte dez.
8. Hockey - Mind Chaos (2009)
Não posso dizer mais do que remeter-vos para o dia 7.9.10 aqui da estante. Album magnifico.
9. Best Coast – Crazy for you (2010)
Uma das grandes surpresas do ano. Ao lado de Drums, Crocodiles e similares. Só escolhi este porque me afeiçoei mais a ele. Sei lá. Podia ser um dos outros dois...
10. Arcade Fire – The Suburbs (2010)
Magnifico regresso da super banda canadiana. Um album cheio de surpresas. Agradaveis.

Adenda! 11. We are Standard - We are Standard (2010) - Valha-me deus! Que album. Como foi possível esquecer-me do album que me fez comprar o primeiro 3000v 4000w. São grandiosos estes espanholicos. Gostava muito de os ver ao vivo.

Os concertos que mais gostei em 2010:

1. Blood Red Shoes @ Casa da Música
Um dos concertos mais ansiados e não so por isso figura como primeira escolha. Adoro estes miúdos, pronto. E as paixões são assim assolapadas!
2. Warpaint @ Teatro Aveirense
Estreia nacional deste quarteto de Los Angeles foi assombrosa. Só quem esteve no Aveirense presenciou o que em 2011 confirmará como uma das melhores bandas emergentes da cena indie.
3. Pearl Jam @ Alive
Pela primeira vez tive a oportunidade de ver o grande Eddie Vedder e provavelmente a última. Concerto muito competente para os fãs e com os fãs. Gostei muito. Por isso e muito mais é digno de registo.
4. Blackrebel Motorcycle Club @ Hard Club
A loucura. Sonora. Era um sonho ve-los ao vivo. Concretizou-se. Ainda para mais no Porto. Pena o som do hard club não fazer jus ao dinheiro que se paga. Enfim...
5. Bonnie Prince Billy @ Teatro Aveirense
Este senhor é um monstro. Ve-lo em aveiro é quase inacreditável. Mas aconteceu. Digno de registo em todos os sentidos. A música “I see a darkness” fica na história como o momento mais arrepiante de 2010 ao vivo. Obrigado BpB.
6. The XX @ Casa da Música
Outro concerto ansiado. Magnifico. Encheu-me completamente as medidas ve-los na Casa da Musica.
7. The Big Pink @ Alive
Magnifica banda em palco. Desejei muito ve-los em 2010 após a estreia magnifica em 2009 com o álbum “a brief history of love”. Gostei muito do concerto só não gostei da duração do mesmo. Festivais…
8. LCD Soundsystem @ Alive
O Sr. Murphy ao vivo é um monstro. Cada vez que o vemos percebemos como ele faz tudo. E bem. Excelente concerto apesar de curto. A repetir brevemente...
9. Here We Go Magic @ Teatro Aveirense
Uma completa surpresa apesar de já contar com o álbum original há algumas semanas. A rever porque as sensações foram excelentes.

Decepções completas em 2010:
Música
1. Interpol – Interpol (2010)
2. MGMT – Congratulations (2010)
3. Belle and Sebastian – Write about Love (2010)

Concerto
1. Scout Niblett @ Teatro Aveirense


17 dezembro 2010

Fantasia

O famoso Wikipedia, não confundir com o outro, apresenta Kanye West assim :

Kanye Omari West (pronounced /ˈkɑːnjeɪ/; born June 8, 1977)[1] is an American rapper, singer, and record producer. West first rose to fame as a producer for Roc-A-Fella Records, where he eventually achieved recognition for his work on Jay-Z's album The Blueprint, as well as hit singles for musical artists including Alicia KeysLudacris, and Janet Jackson. His style of production originally used pitched-up vocal samples from soul songs incorporated with his own drums and instruments. However, subsequent productions saw him broadening his musical palette and expressing influences encompassing '70s R&Bbaroque poptrip hoparena rockfolkalternativeelectronicasynth-pop, and classical music.[2]

Pois é, de facto a paleta de Kanye aumentou ao longo dos anos. Depois de 3 albuns mais centrados no tal estilo inicial de produção, mas que foram sempre abrindo mais portas, Kanye focou-se na electro-pop e no auto-tune no 4º trabalho e dividiu opiniões.
Agora em 2010 volta à carga com 'My beautiful dark twisted fantasy', onde junta tudo o que ja fez antes com mais algumas nuances e simplesmente faz uma obra-prima, sem tirar nem por.
Perder este album, que certamente passara ao lado de todos aqueles que continuam a tratar o hip-hop como um genero menor, é perder um já consagrado a expor a sua criatividade e visão no intuito de criar uma obra de referencia para o futuro e a consegui-lo em grande estilo, rodeado de gente famosa (Jay-z, Pusha-T dos Clipse, Rza dos Wu-Tang Clan, Chris Rock, Gil Scott-Heron, até Elton John!) mas ditando sempre ele as regras. Um album ambicioso, um produto final entusiasmante. A Pitchfork, por exemplo, não hesitou em dar um raro 10.0 ao trabalho, e conseguiu tambem o 1º lugar na lista final de melhores do ano. Na  mui-britanica e indepente Fact conseguiu um honroso 2º.
Para apresentar este registo Kanye foi disponibilizando algumas faixas no seu site(e que faixas...'Monster' ou 'Power', portentosas) e agora que ele saiu e o single é 'Runaway' foi feito um video realizado e escrito em parceria pelo proprio e por Hype Williams que na sua versão longa (que se pode ver aqui por baixo) chega aos 34 minutos e inclui excertos de uma serie de outras bombas do album.

14 dezembro 2010

Lali Puna - Our inventions - 2010



Desde Maio que ando para fazer este post, mas fui-me esquecendo, como mais vale tarde do que nunca aqui vai… seis anos passaram desde que “Faking the books”, um álbum que adoro, foi lançado pelos Lali Puna. Agora, dão-nos o novo trabalho intitulado “Our inventions”. Se por um lado é notório o amadurecimento sonoro que a banda transmite,o uso da simplicidade de forma calculada, que muitos intitulam como pureza, por outro falta-lhe algo, não tem a ergonomia cerebral que “Faking the books” nos proporcionava, no entanto, é um álbum a ouvir até doer. Fiquem com “Out there” com o apoio vocal de Yukihiro Takahashi.

Bastante recomendável

10 dezembro 2010

Doninha

Foi anunciado no site da banda o final dos Da Weasel, banda de Almada que se iniciou em '93 com Pacman (Carlos Nobre) a convencer o irmão Jay Jay Neige (João Nobre) a pegar no baixo e ajuda-lo a fazer um projecto com pés no hip-hop mas a mente aberta para tudo o resto, especialmente se o resto incluisse rock,hardcore ou punk.
Os primeiros companheiros foram Yen Sung (hoje uma dj de renome no panorama nacional) e Armando Teixeira ( já na altura membro dos Bizarra Locomotiva, que deixou entretanto tambem, e responsavel entre outras coisas pelos projectos Balla e Bullet)
Apanhei-os logo ai, com o primeiro ep 'More than 30 motherf***s', do qual tenho uma copia original de 94, uma das ao que parece 700 que alguma vez se fizeram, o trabalho nunca foi re-editado.





 Ja os Da Weasel iniciaram ai uma trajectoria que no que toca ao sucesso foi sempre a subir. Criativamente, quanto a mim apenas um passo ao lado com 'Podes fugir mas não te podes esconder', trabalho menor de 2001 que entrava demasiado na onda das letras faceis e do rock pesado facção Limp Bizkit que na altura dominava as tabelas. Antes 'Dou-lhe com a alma' em 95,quando a banda tinha ja adquirido Quaresma para a Guitarra e Guilherme para a bateria, '3º Capitulo' em '97 (o seu melhor trabalho, ainda hoje, quanto a mim, ja sem Yen e com Virgul, na altura um miudo, ja la irei...) e 'Iniciação a uma vida banal (o manual)' de 99 traçaram um percurso do melhor que temos por ca em qualquer especie de expressão musical. A decisão de após o primeiro ep largar o ingles revelou-se acertada pois Pacman revelou-se um excelente letrista, um contador de historias urbano que sem ser vulgar não era demasiado complexo na escrita e conseguia passar a sua mensagem, advinhava-se que um dia chegariam as grandes multidões. Os sucessos foram aparecendo e as prestações ao vivo foram fazendo crescer a base de fãs. Nisto Virgul foi determinante. O miudo entrou timido com 16 anos, mas a sua influencia na banda foi crescendo na banda e trouxe algo suplementar tambem  as pretações ao vivo, não so porque era um contra-ponto mais ajustado a voz e presença de Pac do que Yen, mas tambem porque a sua presença fisica e postura em palco pareceu desde logo conquistar muitas miudas, e todos sabemos como isso ajuda as carreiras...
Em 2004 'Re-definições',um regresso inspirado à boa forma, lançou-os para o patamar mais alto do sucesso em Portugal, com vendas na casa da platina, casa cheias e festivais por todo o lado. Chegaram aos coliseus e festejaram a editar 'Ao vivo nos coliseus', depois em 2007 'Amor escarnio e maldizer' continuou o estado de graça e chegaram a esgotar o pavilhão Atlantico, num acontecimento que mais uma vez foi editado neste caso ate com um duplo dvd a acompanhar.
Os concertos por esta altura eram ja um tudo-em-um dos menos de 40 anos em Portugal, via-se de tudo, mas os Da Weasel sempre foram muito fortes ao vivo, mesmo quando os publicos eram mais pequenos, mais militantes, menos conhecedores so dos sucessos e mais dos momentos escondidos. Jay e um grande baixista, por exemplo, e o facto de serem uma banda com instrumentos deixou desde logo de parte um dos problemas habituais ao transpor sons mais hip-hop para o palco sem perder 'calor'. Foi nos concertos que fui arrastando cada vez mais amigos para esta causa. Estavamos la por exemplo no Sudoeste em que Virgul partiu a perna ao entrar com um mortal(?!) no palco ainda durante o dia ou em várias prestações patrocinadas pelas camaras municipais dos arredores do Porto antes das garotas sub 16 quererem ser a 'nina'. São a banda que mais vezes vi ao vivo, para cima de dez de certeza. Custa pois, 17 anos depois saber que os Da Weasel  acabaram. Fica o cheiro da doninha no ar...

Pedaço de Arte ( a preferida.)

O receio que eu queira o teu relógio 
O receio, quando te pergunto as horas sentado no passeio 
Com essa expressão não me consegues enganar, 
leio na tua cara tudo o que estás a pensar 
Na minha testa vês escrita a palavra perdido, 
mas qual de nós os dois será exactamente o mais esclarecido? 
Aquilo que a tua mente censura, é a expressão de uma cultura 
tentaram abafá-la mas ela perdura 
Tudo o que tu vês fazer e depois te limitas a repetir, 
sem sequer te dares ao trabalho de parar e reflectir 
Tudo o que te ensinam na privada, jaula dourada, 
onde por bons rapazes a menina foi violada 
Tudo o que a mamã – que a trata por você desde bébé - 
lhe disse sobre a escumalha, sobre a ralé 
Tudo isso é verdadeiro como um O.V.N.I. de Marte. 
Enquanto aquilo que eu te trago é um pedaço de arte 

É estranho mas eu apanho que algo em mim dá-te tesão 
e é tão difícil aceitar essa sensação. 
Imaginas por momentos como seria, 
se te aventurasses a fazê-lo 
Quem sabe um dia se conseguisses experimentar sem ninguém dar por nada 
Na volta davas uma queca bem suada. 
Deixava-te virada, estás a delirar, com certeza, 
Pensa só numa mistura dessa natureza 
Passam–te pela cabeça as ideias mais tontas 
Deixa as aventuras para a pocahontas 
Afinal de contas nem devias estar sozinha a esta hora 
Mas a tua amiga normalmente não se demora 
e agora só te apetece dar um grito, 
um breve momento passa a ser infinito 
vai com calma 
Não quero que tenhas nenhum enfarte. 
Relaxa e aprecia este pedaço de arte 

Eu não quero nada de ti, nem de mão beijada, 
Fiz-te uma simples pergunta, mais nada 
O preconceito espelhado na tua face 
foi suficiente para que eu desde logo me assustasse 
irónico, mas enojas-me mais do que eu a ti 
Bastou-me um segundo e logo, logo percebi 
Nasci ontem mas passei a noite acordado 
Conheço as pessoas, 
de facto sou licenciado numa escola a que nunca terás acesso
, 
nem todo o dinheiro do mundo chega para o teu ingresso 
Guarda o teu medo e segue lá o teu caminho 
só queria saber se ainda estava a dar o Mariño *
Hoje quero ir ouvir um som doce como uma tarte 
e deliciar-me com mais um pedaço de arte. 

Pequeno este pedaço mas com tudo o que eu preciso 
desde palavras e sons até mesmo um improviso 
Puro como água, doce como uma tarte 
Faz então a tua porque eu já fiz a minha parte 

*Jose Marino apresentava o programa Repto, na Antena 3, dedicado ao hip-hop.