27 setembro 2007

saudosismos I

Em Aveiro há um bar onde diversos coleguinhas se encontram para ouvir boa musica. Copos mais tarde peço sempre que passem esta musica. É objectivamente um manifesto de saudades incontroláveis que não desaparecem no fundo do copo...

"She's blood, flesh and bone
No tucks or silicone
She's touch, smell, sight, taste and sound"

Estou a ficar saudavelmente idoso. Numa sociedade em que o passado faz parte dos livros e... quem os escreve... escreve-os sempre sob o seu ponto de vista. Injusto...



post-scriptum:
E já agora: Parabéns Pai. Parabéns Avô. :)

Duelos infanto juvenis ou saudosismos pertinentes - II

Ela:

"Oh, make me over
Im all I want to be
A walking study
In demonology

Hey, so glad you could make it
Yeah, now you really made it
Hey, so glad you could make it now

Oh, look at my face
My name is might have been
My name is never was
My names forgotten

Hey, so glad you could make it
Yeah, now you really made it
Hey, theres only us left now

When I wake up in my makeup
Its too early for that dress
Wilted and faded somewhere in hollywood
Im glad I came here
With your pound of flesh
No second billing cause youre a star now
Oh, cinderella
They arent sluts like you
Beautiful garbage beautiful dresses
Can you stand up or will you just fall down

You better watch out
What you wish for
It better be worth it
So much to die for

Hey, so glad you could make it
Yeah, now you really made it
Hey, theres only us left now

When I wake up in my makeup
Have you ever felt so used up as this?
Its all so sugarless
Hooker/waitress/model/actress
Oh, just go nameless
Honeysuckle, shes full of poison
She obliterated everything she kissed
Now shes fading
Somewhere in hollywood
Im glad I came here
With your pound of flesh

You want a part of me
Well, Im not selling cheap
No, Im not selling cheap"

Duelos infanto juvenis ou saudosismos pertinentes

Ele:

"Fool enough to almost be it
Cool enough to not quite see it
Doomed
Pick your pockets full of sorrow
And run away with me tomorrow
June

We’ll try and ease the pain
But somehow we’ll feel the same
Well, no one knows
Where our secrets go

I send a heart to all my dearies
When your life is so, so dreary
Dream
I’m rumored to the straight and narrow
While the harlots of my perils
Scream

And I fail
But when I can, I will
Try to understand
That when I can, I will

Mother weep the years I’m missing
All our time can’t be given
Back
Shut my mouth and strike the demons
That cursed you and your reasons
Out of hand and out of season
Out of love and out of feeling
So bad

When I can, I will
Words defy the plan
When I can, I will

Fool enough to almost be it
And cool enough to not quite see it
And old enough to always feel this
Always old, I’ll always feel this

No more promise no more sorrow
No longer will I follow
Can anybody hear me
I just want to be me
When I can, I will
Try to understand
That when I can, I will"

18 setembro 2007

Hip Hop Classics (8)

'Se o r-a-p é a tua life
então faz isso bem
deita sangue e suor até chegares além
sê humilde bro, ainda não és ninguém
ainda não tens o skill para entrar no hall of fame'

Dr.Dre - The Chronic '92

Falar de hip hop é falar de Dr. Dre. Já aqui foi referenciado por várias vezes, e a sua seminal banda de inicio de carreira, os N.W.A, teve até direito a um excelente post do meu amigo João.
Mas se os N.W.A. estão por direito proprio na historia do hip hop e particularmente do gangsta rap, foi só no final da banda que Dr.Dre se assumiu como um monstro do hip hop.
Assim, no final dos anos 80, inicio dos 90 Dre, insatisfeito com as relações no seio da sua banda, já depois da saida de Ice Cube, talvez o melhor letrista do projecto, decide também embarcar numa carreira a solo, apoiado nos seus talentos imensos como produtor, cargo que nos N.W.A. divida com Dj Yella.
Para a sua aventura a solo, Dre desenvolveu um novo som, apoiado em samples de P-Funk, em especial do seu idolo George Clinton. Este som, aliado às letras de caracter gangsta viria a ficar conhecido como G-Funk e dominou as sonoridades da costa oeste americana durante a primeira metade dos anos 90. Para que a estrategia fosse completa, uma editora foi criada com Suge Knight, a Death Row Records.
O primeiro lançamento dessa editora foi precisamente 'The Chronic' que em calão de rua era sinonimo de erva. Album solido, de batidas contagiantes, o seu sucesso e influencia foram um marco no hip hop. De ai em diante, definitivamente o hip hop passou a ser considerado uma força de mercado, não havia outra hipotese depois de ver um album de letras tão duras atingir os tops de forma tão avassaladora e durante tanto tempo.
Mas se o talento de Dre como produtor e as suas inovadoras batidas têm parte do mérito nisso, uma outra parte deve-se a outra descoberta deste album e de Dre. Sabedor das suas limitações enquanto mc, Dre sempre procurou outras vozes para pelo menos partilhar as suas brilhantes produções. E neste album, a sorte sorriu-lhe. Atraves do seu familiar Warren G, tambem rapper, Dre travou conhecimento com Snoop Dogg, na altura ainda Snoop Doggy Dogg. A sua ultra caracteristica forma de debitar rimas, muito 'laid back' conquistou de imediato Dre e mais tarde facilmente tambem o publico americano e mundial. A participação de Snoop neste album é de tal forma marcante (12 de 16 faixas) que muitos pensam neste album como um album da dupla e não um trabalho a solo. Dê por onde der, um album historico, bem como os seus singles de sucesso ' Let me ride' ou 'Nothin' but a 'g' thang'. Mesmo com a sua mensagem muitas vezes (quase sempre...) agressiva, este é sempre associado a um ambiente de festa, é um 'party album', daqueles a que fica bem um videoclip com carros caros, mulheres e festa de quarteirão. Um marco historico.
Dre continuou sempre o seu percurso de sucesso, mesmo depois de abandonar a Death Row, apos as mortes de Tupac e Biggie Smalls. Fundou a sua propria editora, a Aftermath, descobriu Eminem (o maior sucesso do hip hop de sempre) e mais tarde juntamente com ele tambem descobriu e produziu 50 Cent (o segundo maior sucesso de sempre do hip hop), para alem de produzir metade do mundo do hip hop. Fez as pazes com Ice Cube, continuou sempre com Snoop Dogg, para o qual produziu o album de estreia e segundo maior marco do G-Funk 'Doggystyle' e lançou em 2001 o sucessor deste album de nome...'2001', que foi novamente um mega sucesso, originado a 'Up in Smoke Tour', que punha em palco Dre, Snoop, Eminem, Ice Cube e X-Zibit, a mais lucrativa digressão de hip hop de sempre.Para finais de 2007, inicios de 2008 é esperado o 3º album de Dre, de nome previsto 'Detox'. Mas já este ano houve produções para 50 Cent e o seu 3º album 'Curtis'

'One, two, three and to the fo'
Snoop Doggy Dogg and Dr. Dre is at the do'
Ready to make an entrance, so back on up
'Cause you know we're 'bout to rip shit up'
Word.

17 setembro 2007

Hip Hop Classics (7)

Jay-Z - The Blueprint '2001

Quando, juntamente com a sua editora, decidiu antecipar o lançamento do seu novo album em uma semana, para evitar que ele se espalhasse pela net, Jay-Z estava longe de saber a fama que estava reservada para o dia 11 de Setembro de 2001, na sua amada New York. Mesmo com torres a cair o album chegou a numero 1 e cimentou ainda mais a posição de Jigga como 'top of the game'.
Com uma carreira de sucesso iniciada em '96 com 'Reasonable Doubt', para muitos o seu melhor album, e desde essa altura rodeado dos melhores produtores e mcs (nesse album participavam por exemplo Dj Premier, Notorious B.I.G. ou Mary J. Blige), Jay foi subindo na vida, album apos album, exito apos exito, trabalhando com todos os grandes produtores de hip hop dos ultimos 10/15 anos como Dr.Dre, Eric Sermon, The 45 king, Sean 'Puffy' Combs, Swizz Beatz ou Rick Rubin, ajudando a dar a conhecer a nova fornada de talentos com quem foi quase sempre um dos primeiros ou mesmo o primeiro a trabalhar. Nesta posição estão por exemplo os Neptunes, Timbaland, Just Blaze ou a super estrela do momento Kanye West, que lança este mes o seu 3º album, muito aguardado. Kanye, tido como um dos mais integros e de vanguarda produtores actuais começou o seu trabalho com Jay em 2000, no album 'The Dinasty : Roc la Familia', produzindo uma faixa. Satisfeito com o desempenho, Jigga convidou-o a produzir 4 faixas de 'Blueprint', sendo juntamente com Just Blaze (outro desconhecido na altura e hoje um dos mais requisitados e caros produtores) o principal arquitecto do album, com a agravante de ter produzido as 2 faixas que mais deram que falar do album : 'Izzo (H.O.V.A.)' , o primeiro single e maior sucesso do hip hop nesse ano nos Estados Unidos e 'The Takeover', construido sobre um sample de 'Five to One' dos Doors, com uma agressiva letra de batalha em que Jay-Z destila veneno contra Prodigy dos Mobb Deep e Nas (o 'beef' entre Nas e Jay-z é talvez o mais famoso da historia do hip hop e so ficou resolvido o ano passado), bem como todos os que o criticam. De facto muitos são os que o fazem, principalmente acusando-o de ser um vendido, um pop-rapper. Mas a verdade é que Jigga nunca mudou a sua postura e desde o primeiro album mostrou gosto pelo risco e pelas colaborações que lhe permitissem alargar o seu espectro musical, trabalhando com gente tão diversa como Foxy Brown, R. Kelly, Big Boi dos Outkast, Ludacris, Missy Elliot, Linkin Park, The Roots( que serviram de banda suporte ao seu fantastico 'Mtv Unplugged') ou Eminem. Para uns é defeito, para mim virtude, ainda que não goste de tudo o que Jay fez. Não é o caso deste 'The Blueprint', album extremamente solido e de altissima qualidade.
Para alem disso o seu talento lirico é enorme, desde os seus gangsta raps, temas sobre 'money, cash, hoes' ou temas mais pessoais como amor ou familia. O seu flow é tambem lendario, tendo Jay tentado e conseguido atingir o trono do hip hop de New York, depois da morte de Biggie Smalls (ou Notorious B.I.G.) outro dos 'Brooklin's Finest', nome da sua colaboração em '96.
Jay ja escreveu inclusive que 'não era tão bom como Biggie, mas era o que chegava mais perto'.
Citando 'The Takeover' Jay e seus pares 'run this rap shit' e esse dominio ficou ainda mais evidente com Jay a assumir a chefia da Def Jam, a mais importante e mitica editora do hip hop, por onde andam ou ja passaram nomes como Public Enemy, LL Cool J, Run Dmc ou Bestie Boys. Ja depois disso começou a relação com a maior estrela do R&B do momento, Beyonce e descobriu e apostou pessoalmente naquela que se perfila como sua sucessora, Rhianna.
Definitivamente um homem de visão este Shawn Carter, CEO do hip hop, como apregoava uma campanha sua.
Para quem não gosta mais uma citação de 'The Takeover':
'To all you other cats throwing shots at Jigga
You only get half a bar, fuck y'all niggas'
Word.