29 agosto 2007

Hip Hop Classics (6)

Porque é de hip hop que tenho falado nestas 'paginas' e é de hip hop que vou falar hoje, uma dica para um belo album novo de Common, com uma fabulosa faixa produzida pelo one and only DJ Premier, Primo para os amigos, de seu nome 'The Game'.E Por falar nisso...que tal escreverem posts, amigos do blog?Mesmo de ferias não acredito que não haja nada para contar...bem...adiante...

'Yo le dije dame tu bollo
Me dice negro loco tu no eres mi novio
A mi me importa un carajo
A mi cuarto meterte un palo
Por tu culo o por tu chocha
Y ya tu sabes que no me importa'

Cypress Hill - Cypress Hill '91

Oriundos da California, da zona de Los Angeles, mas com raizes latinas, Os Cypress Hill de DJ Muggs e dos dois Mc's B-Real (a voz anasalada) e Sen Dog (a voz grossa), deram-se a conhecer ao mundo hip hop com este album de estreia em 1991. Para alem da produção inspirada de Muggs o grupo chamou desde logo a atenção pelo seu conteudo lirico. Assim, para alem da postura gangsta, que na altura era habitual, especialmente na costa oeste americana, os Cypress Hill fizeram desde sempre bandeira do seu uso e abuso da cannabis, fazendo com esta fosse não só uma nota de rodapé numa musica ou noutra mas sim passasse a ser quase uma musa inspiradora com musicas inteiras dedicadas aos seus 'poderes' e com constantes apelos a sua legalização.Isto valeu ao grupo uma pequena perseguição das autoridades mas tambem uma imensa legião de fãs logo ao primeiro album. E tudo isto porque não só as letras eram de facto inspiradas como a dupla de mc's era talvez a melhor no hip hop, facção pergunta e resposta, desde Chuck D e Flavor Flav, dos Public Enemy.
A sua qualidade tera talvez atingido a sua plenitude, no segundo album, 'Black Sunday' (de 'Insane in the Brain' e 'I Wanna to get High'), mas ai estavam apenas a refinar a sua arte. Neste primeiro album estava já tudo. As senhas e contra senhas dos mc's, os refrões cativantes, os samples classicos, as grandes letras e claro grandes temas. Desde a faixa de abertura 'Pigs' (os policias de L.A.) até 'How I Could Just Kill a Man', 'Stoned is the Way of the Walk', 'Hand on the Pump', 'Latin Lingo' ou a ultra obscena e harcore 'Tres Equis' cantada em espanhol, outro facto que os diferenciava e que sempre fizeram questão de incluir nos seus trabalhos.

'With my sawed off shotgun, hand on the pump
Left hand on a forty, puffin on a blunt
Pumped my shotgun, niggaz didn't jump
Lala la la lala la laaaaa...'
Word.

27 agosto 2007

Hip Hop Classics (5)

'Thinkin of a master plan'

Eric B & Rakim - Paid in Full '87

Nunca tiveram um grande exito mainstream, nunca foram um mega-sucesso de vendas mas são provavelmente os atistas mais influentes do hip hop. A dupla Eric B (dj / promotor) e Rakim (mc) é ainda hoje constantemente referenciada por nomes grandes do hip hop e não só, de Jay-Z a Nas, de Tricky (fez uma versão de 'Lyrics of Fury') a Eminem (usou parte da letra de 'As the Rhyme Goes On' para o refrão do seu hit 'The Way I Am') até aos nossos bem tugas Sam The Kid e Valete.
E porque tanta veneração, tanta 'street credibility'?
Porque eram de factos bons. Porque foi Eric B quem lançou a moda dos samples de James Brown (ou de outros exitos soul/funk/r&b) , que durante anos inundaram o hip hop, porque ele era um mestre na tecnica do scratch, porque as suas batidas, minimais em certa medida, eram o complemento perfeito a Rakim (ainda que aos olhos de hoje algumas das produções possam parecer demasiado simples).
E principalmente porque Rakim não só escreveu algumas das melhores rimas do hip hop, como as disse da melhor maneira possivel, com o seu flow inconfundivel, talvez o rapper mais samplado de sempre (até os M.A.R.R.S. basearam o seu enorme sucesso house/techno/dance music 'Pump up the volume' na sua inconfundivel voz), ainda hoje presença constante no topo das listas de melhor mc de sempre. As suas poesias (que o são de facto), ditaram regras no hip hop, mais ainda porque Rakim falava de todos os temas que vieram a ser os principais das tematicas liricas do hip hop, a saber : dinheiro, mulheres, sucker/fake mc's (mc's sem talento ou que rimam sobre temas que não dominam ou conhecem) e ate as ja referenciadas 'lyrics of fury', de contestação. E fazia tudo isto com ritmo, descontracção, usando a batida em seu favor, criando melodias.
Depois do single de estreia 'Eric B is President', lancaram em '87 'Paid in Full' e no ano seguinte 'Follow the Leader'. Qualquer um dos albuns é perfeito, mas por ser o primeiro e por não haver diferenças substanciais em termos de conteudo este é normalmente o escolhido, tendo no ano passado conquistado o topo da lista da mtv para os melhores albuns hip hop de sempre.

'In the September 6, 2007 issue of Rolling Stone, rapper Common answers the question, "When did you realize music was important to you?" by saying: "When Paid in Full came out. You could tell it was street music: It had knowledge, it had consciousness, it was hard, it was soulful." '
Word.

18 agosto 2007

Hip Hop Classics (4)

'I ain't the type of brother made for you to start testin'
Give me a Smith and Wesson
I'll have niggaz undressin' '

Nas - Illmatic '94

Quando 'Illmatic', album de estreia do rapper Nas começou a ser gravado, o mc tinha apenas 19 anos e era um quase desconhecido. Isso não impediu no entanto os produtores de topo da altura de querem ou quase fazerem questão de trabalharem no album. Ao contrario de hoje em dia, era muito raro na altura um album de hip hop não ser produzido por um unico produtor, membro do projecto, ou uma das equipas de produção existentes na altura, contratadas para fazerem albuns.
'Illmatic' mudou este panorama. Num album com apenas 9 faixas e um skit (dicionário hip hop : skit - pequeno interludio ou intro de um album preenchido com dialogos, samples de filmes, mensagens, whatever), temos beats de 4 produtores : Pete Rock (dos Pete Rock & Cl Smooth), Q-Tip (brilhante produtor e mc dos A Tribe Called Quest), Large Professor (dos Main Source) e last but not least o monstro Dj Premier (dj e produtor dos incriveis Gang Starr e produtor de beats e hits para meio mundo do hip hop, um verdadeiro mito dos beats e do scratch).
Todos os beats são de topo e mesmo mantendo as marcas caracteisticas de cada um, dão ao album uma incrivel sensação de unidade. Se juntarmos a isto o flow caracteristico de Nas, que alia um brilhante sentido de storytelling com um prodigioso jogo de palavras, temos um classico instantaneo, que não foi imediato sucesso de vendas mas que se tornou num album de referencia no hip hop da costa este americana.
Este é de facto um album diferente ate na sua curta duração (cerca de 40 minutos), mas que ao contrario de muitos, não tem uma unica faixa dispensavel ou abaixo do nivel.
Classicos como 'NY state of mind', 'Life's a bitch', 'Halftime' ou 'The world is yours' são ainda hoje lições a todos os niveis para quem gosta ou produz hip hop.
Nas nunca perdeu a sua grande veia de liricista mas tambem nunca chegou a este nivel outra vez, chegando a perder-se em colaborações que quase manchavam a sua aura. Se tal não aconteceu isso deve-se a este album ( o primeiro a receber os 5 mics, nota maxima, da biblia do genero, a revista 'Source'). Famosa ficou tambem a sua rivalidade com o tambem grande Jay-Z, com direito a varias farpas em musicas dos 2, que parece ter ficado sanada com a colaboração de ambos no ultimo album de Nas, 'Hip Hop is Dead' de 2006.
As citações a este album, desde samples de beats, uso de segmentos vocais, ou apenas referencias são imensas, o que demonstra a importancia deste album, bem como o respeito que conquistou desde o seu lançamento.

'Life's a bitch and then you die
that's why we get high
cause you never know when you gonna go'
Word.