26 junho 2007

tindersticks - city sickness

A Cidade, passou
o dia todo neste tom. A música
o dia todo nesta nota. A música
o dia todo neste silêncio.
Aveiro, passou
O dia todo nesta angústia.
Todo o dia neste compasso:
ausente.
“I'm crawling, don't know where to or from
The centre of things from where everything stems
Is not where I belong
And the city sickness, growing inside me
So this is where I ran for freedom
Where I may not be free

Chorus:
I have these hands beating with love for you
And you're not here to touch
Sent you away, what else can I do
When I need something that much?

I'm hurting babe, in the city there's no place for love
It's just used to make people feel better
It's not like us
I got this sickness as I got off the train
Now it chafes away at my heart
Until nothing remains

(Chorus)

I'm okay afterwards
Afterwards lasts for minutes only
I'm okay during
You kind of fill up my mind
It's just that before, may last forever
It's just that before, may just fuck my mind

(Chorus)”

19 junho 2007

Uma especie de live pt.3

No Sleep 'Till Brooklin

A primeira edição do festival Oeiras Alive coincidiu com a primeira visita a Portugal dos lendarios Beastie Boys. Como enorme fã de longa data que sou, não podia faltar, e em boa hora compareci. Um palco simples, mas eficaz, com destaque para a mesa de mistura do genial Mix Master Mike (MMM), que mais uma vez os acompanhou e com uma das laterais do palco preparada para os receber no formato instrumental/rock com uma bateria, baixo e guitarra e espaço para os dois convidados, o mesmo percurssionista do novo album a lançar este mes e o teclista Money Mark ( com trabalhos a solo para a editora Mo'Wax ) que tambem participa neste novo trabalho, 'The Mix-Up'.
Intro com MMM sozinho em palco, demonstrando todo o seu virtuosismo, para logo de seguida, envergando fatos e gravatas, Mike D, Ad Rock e Mca finalmente pisarem palcos portugueses ao som de 'Body Movin''. O concerto teve fases de puro hip-hop, como este inicio em que alem da faixa citada tocaram classicos como 'Sure Shot', 'Root Down' ou 'Shake Your Rump', passando depois para uma fase de novas musicas instrumentais intercaladas com antigos instrumentais e temas mais punk/hardcore como 'Though Guy' ou 'Time for Livin'', tudo polvilhado pelo humor sarcastico e tresloucado a que os Beastie nos habituaram. Depois de nova sessão hip-hop old-school, o encore começou com nova sessão de MMM, 'Intergalactic' e novas musicas do novo para tudo terminar em apoteose com o classico maximo 'Sabotage' dedicado por Ad Rock a George W. Bush.
Perfeito.

Nota : Depois das boas indicações dadas nos concertos, as primeiras audições do album de instrumentais 'The Mix-Up' confirmam um belo registo, funky e jazzy. A ouvir, mesmo por quem não gosta deles, que isto é totalmente diferente.


Crispy Bacon / Unreasonable Behaviour

Apenas uma semana depois tive hipotese de finalmente assistir a uma sessão dj do mestre Laurent Garnier de regresso ao Industria cerca de um ano depois. Com a a bonita idade de 40 anos o mestre francês não deixou os seus creditos por mãos alheias, demonstrando que a mestria não tem idade e que continua muito à frente! Passeando com à vontade por varios generos musicais, de techno a house, passando por breaks, dubstep e ate cerca de 45 minutos de muito bom drum and bass de tudo foi possivel ouvir, sempre com uma fluidez e um sentido de dj-set que são admiraveis. Uma lição de como por musica e de falta de preconceitos.
Bravo!

Nota : O meu primeiro contacto com Garnier data de '97 quando comprei o album '30', que festejava a chegada do seu autor aos 30 anos. Dez anos depois, comprovo que era um album visionario, que ainda hoje da cartas, como prova a reação do Industria ao classico 'Crispy Bacon'.

Arctic Monkeys - Fluorescent Adolescent

Novo video dos Monkeys, uma das suas melhores musicas e deste ano tambem.Enjoy

18 junho 2007

Matthew Dear 'Asa Breed'

Matthew Dear é um dos novos valores do techno norte americano. Nascido no Texas, mas como não podia deixar de ser, a residir em Detroit, tem vindo desde 2001 a lançar musica a um ritmo frenetico.
Qual Fernando Pessoa, Matthew gosta de trabalhar sob heteronimos e de lhes dar profundidade, diversidade estetica e muita qualidade. Assim, podemos encontrar trabalhos de Dear como Audion ( talvez o seu alter-ego mais conhecido, dedica-se ao techno minimal mais virado para as pistas, bastante rugoso, aspero até, teve já hits como 'Mouth to Mouth' ou 'Just Fucking', bem como o excelente album 'Suckfish' ou o não menos brilhante mix-cd para a serie Fabric do celebre club londrino ), False ( techno minimal mais cerebral, na linha de Villalobos ou Richie Hawtin, que é alias o seu patrão quando edita com este nome, na sua editora Minus, que é alias excelente) ou Jabberjaw ( de novo techno mais dançável, mas com menos arestas por limar ) ou simplesmente como Matthew Dear.
Com o seu nome verdadeiro, Dear trabalha no campo do que ja chamaram techno-pop. E se no seu primeiro album 'Leave Luck to Heaven de 2003, ainda havia muitas barreiras por derrubar, no ep/mini-lp que se seguiu 'Backstroke' (2004) , Dear perdeu a vergonha e começou definitivamente a explorar a voz nos seus temas, aproximando-se decididamente do formato canção.Nesse ep temas como 'Tide' ou 'Good Girl' eram pequenas e deliciosas perolas a espera de serem ouvidas.
Pois bem, depois de alguns maxis com outros heteronimos ja em 2007, Dear regressa em nome proprio com mais um lp, 'Asa Breed'. E que lp! Perdendo de forma definitiva as amarras, atira-se ao formato canção com toda a força, nunca perdendo de vista a electronica e o techno de onde é proveniente mas arriscando ate uns sons de guitarra acustica! Grandes temas sucedem-se, uns mais intimos outros mais dançaveis, temos de tudo neste novo trabalho daquele que vem provando ser um novo visionario, capaz de figurar junto a nomes como Derrick May, Jeff Mills, Richie Hawtin, Carl Craig, Laurent Garnier ou dos mais recentes Villalobos e Luke Slater, como mais um dos que eleva a palavra techno ao nivel de arte e deixa para tras sem hipoteses os preconceitos que muitos ainda gostam de ter quando a palavra e mencionada. Um dos melhores trabalhos de 2007.

06 junho 2007

Novidades de Colonia

Em 1998, Michael Mayer, Wolfgang Voigt e Jurgen Paape formaram a Kompakt Records, com sede em Colonia, na Alemanha. Desde esse ano e do primeiro maxi 'Triumph' de Paape até hoje foram talvez os maiores responsaveis pela divulgação e propagação das novas correntes de house e techno que vieram revitalizar generos moribundos. Temas como 'Robson Ponte' de Reinhard Voigt, 'Tomorrow' de Superpitcher, 'Speaker' de Mayer ou 'Yes Sir, I Can Hardcore' de Ferenc redefiniram estilos, sendo para isso ajudados pelas series de compilações 'Kompakt Total' ( que vai no seu 8º tomo) ou mais tarde pela serie de maxis 'Speicher', mais virada para o techno de pista e que revelou autenticas bombas como 'I Walk (Superpitcher remix)' de Quarks ou 'Domino' de Oxia.
A Kompakt cresceu irremediavelmente para outros campos, fundou subsidiarias como a K2 (techno) ou a Kompakt Pop e claro, passou tambem a apostar no formato album. Provenientes da Kompakt são por exemplo grandes albums como 'After Love' de Closer Musik, 'Here Comes Love' de Superpitcher (sem duvida um dos meus preferidos, album e artista), 'Touch' de Michael Mayer, 'Doppelleben' de Justus Koehncke, 'Are You Really Lost' de Matias Aguayo ou 'Kozi Comes Around' de Dj Koze.
Pois bem, esta gente não está parada e de Colonia continuam a vir boas noticias...no caso mais 2 belissimos albuns.
Por ordem de saida para o mercado, primeiro 'Chromophobia' de Gui Borato, um brasileiro proveniente das areas da bossa nova e Mpb (!!) que se voltou para a electronica e que ja havia dado nas vistas com faixas como 'Sozinho' ou 'Gate 7' (esta incluida no album). O album é muito solido apesar de saltar entre estilos e ambientes com faixas mais calmas como 'Acrostico' (belissima) ou descargas como 'Beautiful Life' ( tema dedicado à sua mulher e melhor faixa do album, uma das obras-primas de sempre da Kompakt ).
Logo de seguida foi libertado 'From Here We Go Sublime' de The Field, pseudonimo de Axel Willner, que se havia estreado como o maxi 'Things Falling Down' em 2005, já na Kompakt e que cumpre neste album as pistas lançadas nesse e no maxi seguinte, explorando melodias minimais e repetitivas em contextos techno e house (mais este), sem nunca abdicar de uma beleza incrivel nas suas construcções musicais. Faixas como 'Over The Ice' ou a tremenda ' A Paw In My Face' são exemplos perfeitos disso. Fica a chamada de atenção para esta label e para estes dois discos, bem como para os outros se por acaso ainda não os conhecerem...mas se assim for...onde tem estado?

05 junho 2007

Franz Ferdinand "All my friends"

Já há muito tempo que estava para pôr esta grande cover dos LCD, protagonizada pelos Franz Ferdinand, no entanto como não estava no youtube não consegui...Ainda tentei colocar como MP3, a exemplo de alguns posts aqui na estante, mas mais uma vez fui vítima do insucesso. No entanto vi luz ao fundo do túnel: o meu grande amigo Marco pelo skype dizia-me: "Pôr em Mp3? Então caralho, vê nos outros posts da estante, é uma cagada, isso é uma cagada!", mas foi-se a ver e nem ele me conseguiu explicar, enfim...
Entretanto, a versão lá surgiu no youtube:

02 junho 2007

O chilrear de Andrew

Já há muito que não escrevia no blogue, peço desculpa às três, quatro (já na loucura) pessoas que lêem o que escrevo. Para esses, prometo que tal interregno tão prolongado não voltará a suceder.

Retomo a minha participação com o músico e compositor Andrew Bird. Assisti ontem à sua actuação no bonito teatro circo em Braga, onde veio apresentar o seu mais recente álbum, "Armchair Apocrypha", com a presença também da banda que o tem acompanhado.
Confirmou tudo o que antes suspeitava: o seu virtuosismo no violino, a sua entrega vocal, e um assobio de arrepiar! O instrumento "assobio" é usado na perfeição, atingindo notas por mim jamais ouvidas num assobio, exponenciando a grandiloquência que caracteriza o seu estilo. A sua actuação fica marcada indubitavelmente pelo seu "chilrear", mas também pela composição e construção das suas músicas, um pouco à Final Fantasy, ou melhor Final Fantasy um pouco à Andrew Bird.

Deixo-vos com um vídeo da A Nervous Tic Motion of the Head to the Left, numa actuação ao vivo:


01 junho 2007

sgt. pepper's lonely hearts club band - 1967-2007

(Além de ser dia mundial da criança... é também um dia de prendas por isso… deixem-me ser egoísta, só hoje.)
Faz 40 anos!!! E eu tive mesmo de perder a vergonha. Tou tão feliz por poder comemorar esta data, que declaro a todos os leitores da estante comum… Hoje e só hoje, ouçam, vejam, ouçam, vejam, ouçam…. os gigantescos “fabfour”.
(Há 40 anos o meu pai tinha apenas 14 anos. Ele lembra-se como ninguém o que significou escutar os beatles naquelas perenes 33 rpm da grafonola lá de casa. Ainda que permanecam guardadas de forma sagrada e secreta como maior tesouro da memória colectiva juvenil. Obrigado Pai, por me teres feito ouvir os grandiosos desde pequenino.)