27 março 2007

Björk - Hyper-ballad on Jools

Para terminar a saga do Jools uma actuação mais antiga, miss Bjork na apresentação do seu 2º album 'Post'.Disfrutem.

Morrissey - There's a light that never goes out

mais uma,um classico!

Lily Allen - LDN live on Jools Holland show

mais uma do Jools

jools

Later with Jools Holland

Venho por este meio prestar a minha singela homenagem ao grande senhor que dá pelo nome de Jools Holland. Desde 1992 este senhor é responsavel por aquele que é talvez o melhor programa musical de sempre, ' Later with Jools Holland'.

' o microfone não está ligado
isso para mim é non-sense!'

O conceito é muito simples.Um estudio com varios 'palcos' montados, convidados diferentes a cada programa e actuações ao vivo dos convidados, com a presença de publico para tentar simular o ambiente de um concerto verdadeiro.Mesmo live. Nada de play-backs.
E depois...bem depois há lista de convidados que já passaram pelo program desde o seu inicio...ela é quase interminavel e sem duvida assombrosa. Um verdadeiro quem é quem da boa musica pop-rock e aparentados dos anos 90 e deste nosso seculo 21.Lembro uma actuação assombrosa de Tricky e Martina com uma versão downtempo de 'Suffocated Love' que infelizmente não consegui encontrar em video ( é lado b do single 'Tricky Kid' ). Mas já houve Strokes, Primal Scream, Franz Ferdinand, Radiohead, Bjork, Pj Harvey, Red Hot Chili Peppers, Cure, Morrissey, Nick Cave, Scisor Sisters, Artic Monkeys, Arcade Fire, you name it!
Um programa como deve ser e como infelizmente não há muitos.

25 março 2007

regina spektor - "begin to hope" (2006) - take 2

Já em dezembro vos tinha maçado com a senhorita Spektor e agora voltamos ao mesmo, apenas e só, por nesta solarenga tarde de domingo... esta musica não me sair da cabeça.E logo eu que não sei cantar!

23 março 2007

Cat Power - Remember Me

Ando praqui enterrado entre a Fiona Apple, a Beth Orton, a Sia, a Aimee Mann, a Tori Amos, a Regina Specktor, a Joanna Newsom e, obviamente, a Chan Marshall que não me consigo libertar desta melancolia. Certo é que ainda não tinha feito um “post” condigno do talento da menina Chan, e também por isso, aqui vai!

Conheci a Chan por um colega da faculdade. Uma certa noite do já ido ano de 1998, seguiamos no clio do costume rumo à ribeira e subitamente começa a tocar a Metal Heart. Lembro-me que seguiu-se-lhe a Ease your feet of in the see dos Belle and Sebastian… e trunfas… dias mais tarde passei na Mr. Cool e comprei o Moonpix. Chorei à exaustão os três contos de reis que dei pelo CD. Ouvi-o duas ou tres vezes e encostei-o na prateleira à espera de ganhar forma.

Passaram-se alguns meses até que começasse a colar na Chan. Costumava ser muitas vezes assim. Os albuns amadureciam até estarem prontos para decantar, respirar e beber de súbito. (lembro-me que o Debut da Bjork esteve “aprateleirado” de 94 até 97… à espera de… eu o saber ouvir.)

Tempos mais tarde o Mourita comprou em preço de saldo na Carbono um outro cd dos Cat Power.

Já há muito nós os dois haviamos cedido à voz da senhora Chan. O Mourita ainda insistiu em ver um concerto dela no Bla Bla… bem como o Peter “Bolinha”… e eu resisti. Ainda não era tempo.

Este ano a Chan já apareceu mais madura e fez jus ao seu talento num renovado teatro portuense.

Já muito se falou sobre a tendência alcoolica e destrutiva da Chan, outro tanto se falou sobre os jovens americanos suicidas que deixam musicas dela a tocar em “loop”… já se falou de muitos romances e devaneios…isso não interessa muito.

Por isso o que queria dizer é simplesmente isto: Chan obrigado.

Aqui fica uma musica da Chan com estas estrofes do Otis Redding incluidas lá pelo meio (também reconhecerão na voz do senhor Stuart Staples…) :)

“There were time and you want to be free
My love is growing stronger, as you become a habit to me
Oh I've been loving you a little too long
I dont wanna stop now, oh
With you my life,
Has been so wonderful
I can't stop now”

Enfim… isto é só saudades ou o tempo não passa Phi?

Air - "Pocket Symphony" (2007)


Os verdadeiros contadores de histórias estão de volta...
Uma das maiores referências de sempre na área da pop electrónica está de volta com mais um magnífico albúm. O sucessor de Talkie Walkie (2004) dá pelo nome de Pocket Symphony e é mais uma demonstração da fabulosa qualidade musical com que os Air foram dotados...! Pocket Symphony faz-nos viajar pelos ares e mares do Japão e atingir uma tranquilidade espiritual invejável , algo a que a dupla composta por Nicolas Godin e Jean-Benoît Dunckel já nos tinha habituado com o estrondoso tema "Alone in Kioto" do albúm Talkie Walkie. O mais recente trabalho de Air é composto por uma série de magníficas sinfonias e melodias de mesinha de cabeceira, preenchidas com um requintado toque de sons orientais, que nos fazem deambular pelos momentos mais marcantes do nosso albúm de recordações e do nosso quotidiano. Temas como "Left Bank", "Photografh", "Mer du Japon" ou "Somewhere Between Waking and Sleeping" (Pocket Symphony) relembra-nos faixas inesquecíveis como "Ce Matin La", "You Make it Easy" (Moon Safari), "Universal Traveller", "Alone in Kioto", "Run" (Talkie Walkie) ou "Playground Love" (Virgin Suicides OST) interpretados de uma forma mais madura, introspectiva, sentimental, serena e muito peculiar. O albúm foi produzido pelo famoso produtor Inglês Nigel Godrich e conta com as participações de Neil Hannon dos Divine Comedy e Jarvis Cocker. O primeiro single é "Once Upon a Time" que ja vai tocando na Estante Vazia...!


Across the Universe

Não vou dissertar sobre a grande letra da música dos Beatles, nem da interpretação fantástica da Fiona Apple, apenas irei partilhar uma música que transborda de emoções, de sensações e de uma fantasia que atravessa o universo fora.
Deixo-vos com a letra fabulosa do John Lennon e também com o videoclip da interpretação da Fiona Apple:

Words are flying out like
endless rain into a paper cup
They slither while they pass
They slip away across the universe
Pools of sorrow waves of joy
are drifting thorough my open mind
Possessing and caressing me
Jai guru deva om
Nothing's gonna change my world
Nothing's gonna change my world
Nothing's gonna change my world
Nothing's gonna change my world
Images of broken light which
dance before me like a million eyes
That call me on and on across the universe
Thoughts meander like a
restless wind inside a letter box
they tumble blindly as
they make their way across the universe
Jai guru deva om
Nothing's gonna change my world
Nothing's gonna change my world
Nothing's gonna change my world
Nothing's gonna change my world
Sounds of laughter shades of life
are ringing through my open ears
exciting and inviting me
Limitless undying love which
shines around me like a million suns
It calls me on and on across the universe
Jai guru deva om
Nothing's gonna change my world
Nothing's gonna change my world
Nothing's gonna change my world
Nothing's gonna change my world
Jai guru deva Jai guru deva

21 março 2007

Oh my God it's the Funky Shit!

'They started spreading rumors about my state
You know how it goes around this place
Now and then they just need someone to screw'

New York : early 80's
Provenientes de familias de classe media alta de Nova Iorque, Mca, Ad Rock e Mike D resolveram, depois de passarem a fase adolescente em bandas punk/hardcore de garagem desafiar os canones do hip-hop conforme eles existiam na altura e formarem a primeira banda branca (e de fora do gueto) de hip-hop.

'No sleep 'till Brooklin'
Conseguiram o mitico produtor (ligado ao rock mais pesado,pelo menos ate então) Rick Rubin e gravaram um album, 'Licensed to Ill' corria o ano de 1986, o hip-hop dava os primeiros passos rumo à credibilidade e à força de mercado dominante que agora é. O album foi um sucesso e as suas construcções musicais bastante elogiadas, mas as suas letras machistas e de festa e o seu esprito de parodia criticados.Os Beastie Boys pareciam ser um one hit wonder, não passariam dali.Também o facto de serem brancos lhes causou bastantes problemas ( só mesmo no hip-hop...)
Mas se há coisa que os Beastie tem é convicções e força de vontade e resolveram começar a mostrar isso mesmo a partir dai.Partiram para o segundo album com vontade de fazer algo diferente e completamente novo, em termos musicais e liricos, abandonando o tom jocoso do primeiro album para começarem a falar de temas mais serios.Não perderam nunca o sentido de humor no entanto.
Para esse segundo longa duração, 'Paul's Boutique' tiveram a produção do duo, na altura totalmente desconhecido, Dust Brothers, que mais tarde seriam aclamados pela produção do genial 'Odelay' de Beck e pela autoria da banda sonora de 'Fight Club' de David Fincher.'Paul's Boutique' era um album visionario e arriscado para a altura com uma utilização das tecnicas de corte e costura do sample como até então não tinha sido sequer tentada. Foi ignorado pela critica e pelo publico em geral, mas com o passar dos anos tornou-se um album de culto e mesmo a critica pegou nele para o referir como um marco e um ponto de viragem.
Apesar de o sucesso lhes ter escapado os Beastie prosseguiram na sua rota. Formaram a sua propria editora, a Grand Royal e montaram o seu proprio estudio.Voltaram a pegar nos instrumentos convencionais.Mike toca bateria, Ad guitarra e Mca baixo e contra-baixo.Voltaram a mudar de produtor.E fizeram mais um disco.

'It's so free this kind of feeling
It's like life's so appealing
When you've got so much to say
It's called gratitude and that's right'
Ano:1992.Produtor: o desconhecido brasileiro Mario Caldato jr. ou como os Beastie gostam de o chamar Mario C. Mario incentivou os 3 rapazes a diversificarem o seu som, a fazer instrumentais, a assumirem o risco de tocarem os seus instrumentos em album, a fazerem obras-primas.A primeira surge logo nesse ano, 'Check Your Head'.Temas como 'Pass the mic', 'So what'cha Want' ou 'Namaste' todas são excelentes mas é o conjunto do album na sua variedade desconcertante que surpreende e conquista.

'Because you can't, you won't, you don't stop'
De novo com Caldato, e com a presença repetida mas mais marcante de musicos extra como Bobo (percursionista que habitualmente acompanha os Cypress Hill) e Money Mark (virtuoso teclista com albuns a solo editados pela Mo'Wax de James Lavelle) os 3 +1 (com Caldato) gravam em 1994 'Ill Communication', aquele que mais vezes é apontado como o seu melhor trabalho.De facto é ainda mais variado do que o seu antecessor viajando desde o hip-hop ao funk, do harcore aos ritmos budistas sem perder nunca identidade. Para alem disso tem os seus maiores hinos como 'Root Down', 'Sure Shot' ou 'Sabotage' (este ultimo, com a sua abordagem rock e o excelente e premiado video de Spike Jonze a conseguir conquistar inclusive a maioria rock do momento,o grunge era a força do momento.Foram convidados para o Lolapalooza com grupos como Red Hot, Pearl Jam ou Jane´s Addiction).

'Tell me what makes you so afraid
Of all those people you say you hate
Just give it one time for your mind
And let's try to negotiate'
Na sua terceira e até ao momento ultima colaboração com Caldato(que regressou ao Brasil para trabalhar com o muito dotado Marcelo D2),'Hello Nasty' começaram num caminho a um som mais uniforme, proximo das raizes old-school do hip-hop.Assim, mesmo com uma serie de instrumentais soul/funk/downtempo e de uma colaboração com o guru do dub Lee 'Scratch' Perry o album mostra isso mesma com uma serie de grandes musicas hip-hop como 'Intergalatic' ou 'Just a test'.3 albuns com Caldato, 3 obras magnificas.Muito bem!

'We're just 3 mc's and one dj'
Numa das faixas de 'Hello Nasty' participava Mix Master Mike, talvez o maior dj de scratch de sempre.Deliciados com o seu talento, os 3 mc's convidaram-no para a digressão de promoção ao album e desde então é praticamente o 4º Beastie.Foi com essa formação e um som ainda mais rude e pondo de parte os instrumentais funky que gravaram 'To the Five Boroughs', uma referencia e dedicatoria aos 5 condados da usa New York: Brooklin, Bronx, Queens, Staten Island e Manhattan.Um belo album sem o brilhantismo de outros no entanto.
Desde então pouco se tem ouvido falar deles, se não contarmos com as suas posições activistas nos mais variados assuntos com especial destaque para Mca, para alem da edição de duas compilações e do dvd 'Awsome,I fuckin' shot that!', gravado por 50 espectadores escolhidos no Madisson Square Garden em....Nova Iorque!
Para este ano fala-se de um novo album e confirmada esta já a primeira visita a Portugal.É incrivel como uma banda desta importancia e idade so agora ca chega, mas antes tarde que nunca e pelo menos ainda chegam na posse plena das suas faculdades.
Quero referir tambem que paralelamente a edição de albuns os Beastie foram lançando uma pequena serie de eps.Um deles 'The In Sound From Way Out' ( reunião de alguns dos instrumentais de 'Check your Head' e 'Ill Communication') é imprescindivel e um dos discos mais 'cool' de sempre.

'How you're gonna kick it?
Gonna kick it root down!'

20 março 2007

Make way for the S-o-v !!!

Começou a escrever as primeiras rimas aos 14 anos, aos 16 abandonou a escola decidida a triunfar na música e antes de completar 20 anos tinha já um EP de grande sucesso no Reino Unido e um contrato com a Def Jam de Jay Z, editora que em 2006 lançou o seu primeiro álbum Public Warning. Foi assim a ascensão meteórica da auto-proclamada “biggest midget in the game”.

Com um flow excepcional e rimas pontiagudas Lady Sovereign não tem medo de ser confundida com uma adolescente irascível da geração da Internet – assume-o na sua música no estilo despreocupado de quem não se leva demasiado a sério. É nas batidas graves e contundentes do Grime que sobressai um discurso sagaz e destemido, contaminado por um sentido de humor venenoso que deixa transparecer sem complexos influências como Mike Skinner ou Dizzee Rascal. Public Warning é um reflexo da cultura urbana, repleto de referências pop embrulhadas em versos que oscilam entre o inteligente e o jocoso, prevalecendo no final a ideia de um álbum fresco, enérgico e cativante que revela uma MC que promete dar muito que falar.

18 março 2007

Prelúdio: Sines 2007


Todos os anos é em Sines que eu e a Phi recarregamos baterias para o que resta de ano. É a altura em que se fazem balanços, partilham-se sabores, sons, sorrisos, mar, praia, amizades, copos de cerveja, copos de vinhos, conhecem-se outras pessoas, respira-se com calma os dias, sei lá… dão-se os cumprimentos costumeiros aos que lá vivem e nos recebem tão tão bem (esta é para o famosissimo Bila que tão bem nos recebe no Parque de Campismo!!!).

Pois bem, como as saudades são imensas e ainda falta algum tempo, resolvi lançar o repto audível do que se vai passar em Sines. Esta abordagem faz todo o sentido tanto mais que ainda não há (que se saiba) alinhamento para o festival e, também por isso mesmo, deixo aqui algumas possibilidade (desejos) para o Festival Musicas do Mundo de 2007.

Deixo aqui 20 nomes que eu gostava de ver, e acho perfeitamente possível, ver representados no grandioso FMM (a/c do Sr. Carlos Seixas).

1. Tinariwen (Mali) - www.tinariwen.com
2. Kepa Junkera (Espanha) - www.kepajunkera.com
3. (Dani) Macaco (Espanha)
4. Anouska Shankar (India) – www.anouskashankar.com
5. Bellowhead (Inglaterra) - www.bellowhead.co.uk
6. Natacha Atlas( Bélgica) - www.natachaatlas.net
7. Cheb I Sabbah (Argélia) - www.chebisabbah.com
8. Lo’jo (França)
9. Cristobal Repetto (Argentina)
10. Aida Nadeem (Iraque) - www.aidanadeem.com
11. Susheeela Raman (Inglaterra ) - www.susheelaraman.com
12. Sevara Nazarkhan (Uzbequistão) – www.sevara.uz
13. Tiken Jah Fakoly (Costa do Marfim) – www.tikenjah.net
14. Sara Tavares (Portugal) – www.saratavares.com
15. Sainkho Namtchylak (República da Tuva)
16. DJ Dolores e Santa Massa (Brasil) – www.djdolores.com
17. Aldina Duarte (Portugal)
18. Seu Jorge (Brasil) – www.seujorge.com
19. Mercan dede (Turquia/Canadá) – www.mercandede.com
20. Lhasa de Sela (Canadá) - www.lhasadesela.ca
21. Manecas Costa (Guiné Bissau)
22. Thomas Mapfumo (Zimbabue) - www.thomasmapfumo.com (pela falta de comparência no ano passado!)

De fora ficam obrigatoriamente, por já estarem confirmados em WOMAD, por exemplo, Toumast, DJ Shantel, Daara J, Balkan Beat Box, Baaba Maal, Chambao,Clube do Balanço, Chota Divana e… Mariza!

Então como é? Estas são as minhas apostas. Quais são as vossas? Quais serão as do Carlos Seixas? Em Julho lá nos veremos todos!!!!

(Fotografia da actuação dos Gaiteiros de Lisboa no FMM 2006, créditos para Mario Pires (CMS))

15 março 2007

les paris bamako 2007

Falta menos de um mês para um dos maiores eventos da África. Dia 7 de Abril juntam-se diversos musicos africanos e europeus numa comunhão solidária com os jovens cegos e amblíopes do Mali. É no instituto de jovens cegos de Bamako que surge esta manifestação de solidariadade e partilha, verdadeiramente magnificas. Este ano com nomes tão conhecidos como “Monsieur” Toumani Diabaté, Amadou et Mariam, Manjul, Amara, Mo DJ, Princess Aniès, Daby Touré, Ramata Diakité, Tanaka Zion, Kesiah Jones, Yuri Buenaventura entre tantos tantos outros.

A estória deixo-vo-la no www.les-paris-bamako.com, pois não tenho palavras para descrever que o excelente projecto do Instituto de Jovens Cegos e do festival em si. Vejam. Só vos digo que me separam várias centenas de euros a possibilidade de também participar. Ainda assim mais de 12000 pessoas falo-ão sorridentes por mim.

Este som é de ouro

'Is it so wrong to want rewarding?
To want more than is given to you?
Than is given to you?'

Quando em 2002 James Murphy lançou o primeiro maxi do seu projecto Lcd Soundsystem, 'Losing my Edge' conquistou-me de imediato. Aquela longa divagação com um som dificil de catalogar era algo de muito fresco e parecia-me exactamente o som que procurava. Vinha também incluida na compilação 'Channel 2' (fabulosa!) da Output Recordings de Trevor Jackson dos Playgroup, editora fundamental nos ultimos anos e que infelizmente está já extinta.
Com um pouco de investigação soube que apenas na Europa essa era a editora e que Murphy juntamente com o seu comparsa Tim Goldsworthy era o fundador e proprietario da Dfa Records sediada em Nova Iorque. Para além disso Dfa era também o nome que os 2 usavam para remisturar ou produzir outros artistas. Assim foi por exemplo com o primeiro album dos The Rapture.
Os Lcd Soundsystem não foram no entanto deixados em standby....
Seguiram-se mais maxis: 'Give it Up', 'Yeah' (mais uma grande malha!), 'Movement' (outra!) e começaram os rumores de um album....que viria a ser lançado no inicio de 2005.
'Lcd Soundsytem' era o nome e era também um álbum perfeito que funcionava na pista de dança como em casa e elevava Murphy ao nivel de uma pequena superstar underground. Singles como 'Daft Punk is playing at my House' e 'Tribulations' foram pequenos sucessos de vendas e grandes sucessos de pista, nomes como Tiga ou Lindstrom foram convocados para remisturas e Murphy parecia estar no auge. A confirmar isso a grande forma patente nos espectaculos ao vivo como o que tive o prazer de ver na Casa da Musica em 2005.
Consequencia desta exposição mediática os convites para remisturas da Dfa foram-se sucedendo. Nomes tão diferentes como Tiga, Goldfrapp, Blues Explosion, Soulwax, Chemical Brothers, Gorillaz, Fischerspooner, Hot Chip, Radio 4, N.E.R.D ou Nine Inch Nails receberam o tratamento Dfa e sempre com resultados cativantes. Marca de autor bem definida, faixas longas, dançantes qb e nunca popularuchas, sendo já uma quase garantia de sucesso ter uma remix Dfa.
Para tornar mais facil o acesso a estas remixes dois cds foram lançados 'Dfa remixes' capitulos 1 e 2. Ambos obrigatórios.
Em 2007 Murphy regressa aos escaparates com o novo album 'Sound of Silver'. Graças as maravilhas do download ilegal tive acesso a este disco ainda em Dezembro do ano passado apesar da data oficial ter sido apenas esta semana...Posso por isso falar deste disco com alguma segurança e não apenas deslumbrado por um par de primeiras audições.
E o que posso dizer é que apesar das expectativas altissimas que tinha Murphy não as defraudou. O album não é em nada inferior ao primeiro, talvez seja ainda melhor.Tem mais estrutura de album pensado, tem grandes malhas, tem tudo para ser classico. Não cede em nada. Tem temas ainda mais longos que o primeiro(rara é a faixa que não passa dos 6 minutos), tem Murphy no microfone em grande forma (ele que não é nenhum cantor virtuoso mas compensa com a entrega), tem letras pertinentes, enfim tem aquilo que é preciso. Termina até com uma ode a sua cidade 'New york I Love you, but you're Bringing me Down' belissima no seu amor e desencanto.
É um grande album e ponto final. Para mim vai ser dificil não ser o melhor do ano...e para melhorar o cenário fala-se neles para abrilhantar ainda mais o já de si belo cartaz deste ano do Super Bock Super Rock.
Venham eles!

07 março 2007

Remixes, Depeche Mode e Villalobos

'Na Primavera, não estava em Praga
No 25 de Abril, estava em Braga
Demasiado entretido a crescer
Para dar conta do que estava a acontecer
Do que estava a acontecer'

Quando aqui escrevi sobre singles e lados b falei na avalanche de remisturas que nos inunda nem sempre com resultados animadores.Fiz questão na altura de separar dessas aguas turvas os Depeche Mode, que conseguiam ter remisturas estimulantes a cada album que passava e que pareciam saber sempre os produtores certos a convidar.
Para mim fica para a historia por exemplo a remix de Peter Kruder para 'Useless' que viria a ser incluida em 'K&D Sessions', brilhante album que elevava a remistura à forma de arte e ao nivel das musicas ditas 'originais' tal era a creatividade e total reformulação de alguns dos temas incluidos.
Pois bem, desde a edição do ultimo 'Playing the Angel' os Depeche Mode voltaram à carga, convidando produtores de renome para remisturar cada um dos singles deste novo longa duração.
Assim, a uma longa lista que incluia já o referido Peter Kruder, Underworld, Colder, Goldfrapp, Richie 'Plastikman' Hawtin, Air, François Kervokian (um dos padrinhos das remisturas), dj muggs(dos Cypress Hill), Dj Shadow, Speedy J ou Dave Clarke, juntaram durante o ano de 2006 nomes como Tiga, Michael Mayer, Alter Ego, Misc, James Holden ou Metope. Como seria de esperar o nivel das remisturas não desceu e em alguns casos remisturas claramente de exepção foram conseguidas.
Mas o melhor foi guardado para 2007. Novo 12" com a remix de 'Sinner in Me' pelo mago do tecno minimal chileno a residir em Berlim, Ricardo Villalobos.
Villalobos foi afirmando creditos pelas suas longas divagações tecno de cariz minimal, com as suas musicas bastante longas a evoluirem num crescendo de camadas que não fica a dever nada aos principais nomes apontados como referencias do genero, como o ja citado inglês Richie Hawtin que é alias fã do chileno e com quem costuma fazer regularmente dj-sets conjuntos.
Desde os primeiros maxis e remisturas, Villalobos nunca deixou os creditos por mão alheias e nunca cedeu a facilidade de trabalhar para a pista de dança exclusivamente, trabalhando sempre no seu tecno cerebral e de 'sofa'.
O seu primeiro album 'Alcachofa' é já justamente considerado um clássico e mesmo o seu ultimo e arrojado trabalho 'Fizheuer Zieheuer' composto somente por duas longuissimas suites de mais de 30 minutos cada (na versão vinil editadas para cerca 15 e 20 minutos) foi elogiado pela critica e tem sido um sucesso de vendas (obviamente não estamos a falar de um genero campeão dos tops).
Nesta sua leitura de 'Sinner in Me' o chileno opta uma vez mais por uma longa duração (o tema tem mais de 13 minutos), construido mais uma vez num quase imperceptivel crescendo que incorpora ate um leve som do que penso serem congas, influencia obvia do seu Chile, algo que é já um ponto de honra em Villalobos, a sua identidade e demarcação de todo o resto do tecno que por ai anda, sem vergonha e ate orgulho de incorporar elementos latinos na sua musica sem a deixar cair em soluções faceis ou 'pirosas'.
O resultado final, não sendo concerteza tão unanime como a já citada leitura de Peter Kruder, é a meu dever deveras estimulante, conseguindo até superar o tema original que era dos melhores deste ultimo album dos Depeche Mode. Mais um belo trabalho de Villalobos de quem continuam a esperar-se boas novas bem como, por que não, uma nova visita à nossa invicta cidade.
A remistura do ano?

06 março 2007

peter bjorn and john "writer's block" (2006) - take 2

Depois do desertor (sim homem das papoilas esta é para ti!) nos ter chamado à atenção... já em outubro de 2006... aqui fica uma das musiquinhas que (ainda) tenho andado a assobiar.


Musiquinha do Pedro, Bernardo e João cantarolando o single "Young Folks"

04 março 2007

Arcade Fire: o fenómeno?

“Quando se é uma grande banda de rock, é reconfortante assistir [ao concerto] de um grupo que consideramos muito melhor que o nosso. Dá-nos algo para onde apontar”, Chris Martin, Coldplay
“…As músicas novas são grandiosas, pessoais, apocalípticas e totalmente sentidas…acho que a maioria das influências deles são basicamente invisíveis. Tornaram-se aquilo que são.” David Byrne
“…[canções] eram melhores do que qualquer coisa que o Lennon tenha feito. Vão ser montruosos”, Bob Johnston

Estas e muitas outras expressões se têm lido nos últimos tempos, sendo unânime no meio musical a admiração pelos Arcade Fire, unindo variadíssimos músicos de diversas correntes musicais: Timberlake, Bowie, Bjork, Beck, Lou Reed, etc.
Tantos elogios levaram-me a questionar se estamos ou não perante uma banda que ficará na história. Acho que ainda é cedo para tal afirmação (afinal de contas ainda só foram lançados dois álbuns), mas o que é certo é que existe algo na música dos arcade fire que dosponta um enorme fervosismo e uma devoção generalizada. Após o espantoso álbum “Funeral”, surge agora o “Neon Bible” . É difícil fazer um álbum como o 1º foi feito, mas não me parece que o “Neon Bible” fique muito atrás. Alías, se fosse este o primeiro álbum, creio que teria o mesmo impacto que o "Funeral" teve, isto porque tem grandes músicas, com sonoridades emocionantes e vibrantes, e mantêm a sua principal característica, a utilização de intrumentos pouco convencionais…Como há tempos li, “estamos perante a banda mais interessante do mundo”. Retirando alguns exageros que se lêem nalguns artigos de opinião, acho que estamos perante uma grande banda, em que o facto de serem diferentes de tudo o que rodeia o mundo musical actual criou esta onda consensual, um tanto hiperbolizada pelos media.

A figurar certamente no top de 2007 que, se tivermos em conta com os possíveis álbuns dos Radiohead, dos Interpol, Portishead…e o já consagrado álbum dos LCD Soudsystem, levará a que este ano não fique nada a dever aos antecessores acabados em 7, tal como o João descreveu nas suas crónicas.

01 março 2007

Pete Philly and Perquisite – Mind.State (Anti, 2005)


Depois de verificar no arquivo mais recente do blog que não se tem falado de Hip Hop decidi chegar-me à frente para falar de um álbum que, apesar de ter visto a luz do dia em 2005, só descobri na recta final de 2006 (shame on me!). O álbum que recomendo é Mind.State do dynamic-duo de Amsterdão Pete Philly (MC) e Perquisite (produtor), dois holandeses que dificilmente poderiam ter desejado melhor estreia. Pete Philly, um MC respeitado na Holanda mas a carecer de divulgação fora do seu país, e Perquisite, um músico de formação mais ligada ao jazz (começou a tocar violoncelo com 8 anos) que despontava como talentoso criador de beats, juntaram-se em 2002 e desde o início as consequências desta colaboração foram bem proveitosas.

Mind.State é um disco conceptual que parte de uma premissa simples e ainda assim arriscada – cada música pretende retratar um estado de espírito, emoção ou sentimento (o alinhamento é bastante elucidativo: Relieved, Insomnia, Motivated, Eager, Lazy, Respect, Cocksure, Conflited, Grateful, Mindstate, Mellow, Paranoid, Cheeky, Hope e Amazed). O que resulta deste conceito é um disco fortíssimo, ambicioso, honesto quanto baste para não soar pretensioso e tecnicamente muito acima da média. Perquisite não disfarça as suas influências e os elementos do jazz estão bem presentes alicerçando um conjunto de sonoridades que vão desde a Soul ao Break-Beat , da clássica ao Grime, o que confere ao álbum uma sonoridade eclética minuciosamente executada. Pete Philly revela-se um MC de flow irrepreensível, extremamente imaginativo (Lazy e Insomnia são bons exemplos), muito eficaz na comunicação e acima de tudo capaz de mostrar a versatilidade que a sonoridade do álbum exige.

O resultado final é um álbum que não pára de nos surpreender pela positiva de cada vez que ouvimos e que desperta a curiosidade para os próximos trabalhos da dupla. Para já podemos ouvir o álbum de remisturas, com o sugestivo nome Remind.State.

you make me feel

Há imensas formas de te dizer isto. Todas nunca são demasiadas. Esquecemo-nos frequentemente de propalar os sentimentos na grafonola diária. Tenho pouco tempo para isso. Foge-me. O tempo em sentidos que teimam em parar. Acaso amanha será diferente. O passar dos dias enruga-se no peito. E nós de mãos dadas sabemos sempre criar passadeiras para atravessar a rua. Porque os sentimentos de perda são voláteis há que afirmar tudo o que queremos dizer, a tempo e horas, antes de adormecer.
Aprendemos a custo que a musica também serve para comunicar. E adoramos.

Afterwords: Desculpem os mais cépticos mas o dogma quando bem concebido convence até os mais pragmáticos.