28 fevereiro 2007

Grinderman e Nicholas Edward Cave

' I've got the no pussy blues! '

Os meus primeiros contactos com o grande senhor australiano Nick Cave datam de 1992 com 'Henry's Dream'. Sorte de ter um amigo que por sorte tinha um tio que por sorte era dj no Batô...
Gostei da força daquela voz, do tom das letras, ora soturno, ora violento, ora dramatico, ora apaixonado, até devoto.
Gostei da aspereza de musicas como 'Papa won't leave you Henry', da energia e boemia e paixão de outras como 'I had a dream, Joe' ou 'Brother my cup is empty'.
Passei a seguir a carreira.
O proximo passo seria 'Live Seeds', album ao vivo. Percebi a força em palco, o quase exorcismo de cada concerto na altura.Conheci também musicas como 'The mercy seat', 'The weeping song' ou 'From her into eternity'.E dai para os albuns mais antigos e perolas de albuns como 'Tender Prey'.
Depois houve um album que me convenceu menos 'Let Love In' ('94), com canções memoraveis mesmo assim.
Mas logo de seguida uma inflexão de carreira para uma fase mais calma começa com 'Murder Ballads', album conceptual com canções sobre crimes sangrentos que conseguiu a Cave alguns dos seus maiores exitos com os duetos 'Where the wild roses grow' e 'Henry Lee' com Kylie Minogue e P.J.Harvey.Esta fase consegue prender-me.Cave decide acalmar ainda mais.
Tinha chegado uma fase diferente na sua vida pessoal e ele queria reflcti-la no seu trabalho.
Apostou forte no piano e conseguiu dois albuns fantasticos:'The Boatman's Call' e 'No More Shall We Part'.Musicas deliciosas como 'Into my arms', 'Far from me', 'Lime tree arbour', 'And no more shall we part' ou 'God is in the house'.
Seria dificil repetir o efeito e Cave não conseguiu quanto a mim faze-lo desde então.Ou então....
Nesta historia tinha omitido intencionalmente um nome: Bad Seeds.A banda que durante todos estes anos e albuns acompanhou Nick Cave.Deles fazem ou fizeram parte por exemplo Mick Harvey ou Blixa dos Einsturzende Neubauten.A banda de grandes musicos que ajudou a criar o caos e a bonança em palco ao longo de todas as digressões.Pois bem, Nick decidiu fazer um album sem eles. Decidiu apostar num album com nome de banda nova 'Grinderman' e não de Nick Cave &..., como já não fazia desde a sua banda de inicio de carreira Birthday Party.
E que resulta desta nova banda, que ate tem colaboradores do tempo dos Bad Seeds?
Um album ao inicio mais rock, com a guitarra bem puxada e nervosa de outros tempos, as letras demoniacas e tudo o resto.Nick em forma.Depois acalma mas a sensação final é bem recompensadora.Um album com a marca de um senhor.

26 fevereiro 2007

tango crash - "otra sonata" (2005)


Depois do concerto , aqui em Aveiro, da voz mais promissora da Argentina, o magnífico Cristobal Repetto de quem já conhecia a voz emprestada dos Bajofondo Tango Club fiquei muito susceptivel à musica e cinema vindos do País das Pampas. Depois de megulhar doentiamente no mais recente de Gotan Project (que me proporcionaram dois concertos bastante agradáveis no Porto, e que tiveram direito a post aqui na estante), descobri La Chicana, Tango Crash, Mercedes Sosa, Tierra del Fuego, Juana Molina (brutal num registo mais intimista), Los Fabulosos Cadillacs, e redescobri Astor Piazzolla, Carlos Gardel. Bem, adiantando a conversa, o que quero aqui apresentar hoje são os Tango Crash.

Os Tango Crash são uma dupla argentina composta por Daniel Almada e Martin Iannaccone. Nasceram em 1987 como um projecto de fusão, salientando o jazz, a improvisação e a musica electronica. Com trajectos de vida bastante diferentes, Daniel evoluiu musicamente na Europa ficando Martin na America do Sul. Quatorze anos volvidos re-encontraram-se finalmente para se estabelecerem como banda. Martin foi trabalhar para Berlim ficando mais perto do seu amigo Daniel que já há largos anos vivia em Basileia. Em 2003 finalmente editam o seu primeiro album Tango Crash na sequência do que tinham perspectivado anos antes. Apareceu assim um disco que rotularam de Jazz electronico claramente experimental e pouco polido em termos de produção.

Em 2005 editaram Outra Sonata e explodiram. Experimentem ouvir no myspace Milonga para Alberto, DJ Peron ou Outra Sonata. Bastante agradáveis. A ouvir.

Myspace:

http://profile.myspace.com/index.cfm?fuseaction=user.viewprofile&friendid=90207002

Página Oficial:

http://www.tangocrash.com/

22 fevereiro 2007

Africafunk: The Original Sound of 1970's Funky Africa (1999)


É pá! A culpa é toda tua Nuno. Tenho andado colado no Sr. Miles… e na sequência… todas as maravilhas da internet. Achei (típico verbo de além mar…) este album medonho! É de uma intensidade estonteante capaz de nos deixar assoberbados em movimentos estéreis mas felizes. Ando em casa aos pulos e tinha de partilhar isto com todos os amigos bloggers. Trata-se de uma compilação fenomenal de musicas africanas com toque “groove” proximos do “downtempo” autenticos classicos dos anos setenta. Andamos todos um pouco saudosistas eu sei… mas a musica é intemporal… e a provar isto está o “post” ’67!... do grande amigo João. Bem, então, como eu ia dizendo, trata-se de um album de treze(!) raridades de qualidade soberba que incluem nomes tão famosos como Wali, Manu Dibango, Veccio, Lafayette Afro Rock Band, Peter King, Oneness of Juju, Tony Allen (esse mesmo!!), Mombassa entre outros!... bem entre outros quer dizer… e Fela Anikulapo Kuti. Brutal este Africafunk: The Original Sound of 1970's Funky Africa.

Nuno! Vai buscar e cola-te na cena… amanha já vais passar isto no posto 7.

'67 ou a musica pop rock começa a ser respeitada (verdadeiramente)

Anos 60.
Hippies, lutas sociais, flores, drogas, psicadelismo.Cada um escolhe a sua imagem, mas sem duvida uma decada marcante.
Chegados a 1967 tinhamos ja recebido as estreias de Beatles, Rolling stones, Beach Boys...Elvis era ja uma imagem esbatida, a pop e o rock caminhavam para a idade adulta.
Em '66 tinham chegado obras-primas como 'Revolver' dos Beatles ou 'Pet Sounds' dos Beach Boys, com 'Aftermath' os Stones faziam finalmente um album só de originais seus e portanto as expectativas eram elevadas para o ano que se seguia.Mas não acredito que alguem conseguisse prever o que ai vinha....
Em '67 os Rolling Stones embalados pelo tal album de originais lançaram não um, nem dois, mas três (!) albuns : 'Flowers', 'Between the Buttons' e 'Their Satanic Majesties Request'. Os The Who lançaram tambem obras importantes, os Captain Beefheart, os Cream tambem...Ainda em Inglaterra os Beatles lançam 'Sgt Pepper's Lonely Hearts Club Band', para muitos a sua maior obra. Do outro lado do atlantico, Brian Wilson que trabalhava no sucessor de 'Pet Sounds' com o intuito de fazer a maior sinfonia pop de sempre enlouquece com a magia dos Beatles e abandona o trabalho no album que ja havia trazido 'good vibrations'...os Beach Boys deixavam de ser relevantes, os Beatles ainda editaram 'Magical Mistery Tour' nesse ano...
Mas se '67 entra na historia de forma talvez incomparavel é muito pelas estreias desse ano.
Na Inglaterra um grupo de jovens apaixonados pelo poder dos alucinogenicos junta-se para celebrar o psicadelismo. Liderados por um tal de Syd Barret, que entretanto os iria abandonar para um retiro...espiritual (viria a falecer em 2006), esta era a estreia dos Pink Floyd com 'The Piper at the Gates of Dawn' no inicio do que seria uma bela carreira marcante a varios niveis, desde o gosto pelo experimentalismo ate a megalomania e aos grandes espectaculos conceptuais.
Mas nesse ano os Estados Unidos queriam vencer a guerra das estreias....
Foi la que um negro canhoto resolveu revolucionar a maneira de tocar guitarra para toda a historia. Será que já houve alguem tão iluminado na guitarra como Jimi Hendrix?
Em '67 ele não fez por menos e à estreia com 'Are you Experienced?' ainda juntou 'Axis:Bold as love'.
Noutro ponto dos estados unidos aquele que ficaria conhecido por Rei Lagarto e que ainda hoje arrasta pessoas a sua sepultura juntava a sua banda e lançava a sua estreia homonima 'The Doors'. Para não ficarem atras de Jimi lançam tambem 'Strange Days'.
Mas...em Nova Iorque alguem trabalhava para lançar aquele que para mim ainda é o melhor album de estreia de sempre.
40 anos depois continua na vanguarda da musica, é quase impossivel acreditar que foi gravado em '67.
Sem esse album talvez não houvesse o noise, o punk, o glam, a new wave...
Sem esse album talvez ainda hoje não houvesse coragem para fazer letras tão fortes, bizarras e sexuais como aquelas que habitavam neste disco.
Sem esse album talvez o rock nunca tivesse conquistado o respeito das outras artes e dos artistas avant-garde.
Alguem disse um dia que poucos foram os que houviram o album na altura em que saiu, mas que todos os que o fizeram formaram uma banda....Exagero com certeza, mas uma bela frase e uma ideia da influencia deste album no futuro.
Eles eram Lou Reed, John Cale, Sterling Morrison e Maureen Tucker.Tinham a companhia da atriz e cantora Nico e eram produzidos pelo grande Andy Warhol.
O album recebeu o nome da banda 'The Velvet Underground and Nico' mas devido a capa concebida por Andy Warhol ficou para historia como o album da banana.
Começa com uma balada 'Sunday Morning', para logo abraçar um rock abrasivo que com certeza os Strokes não desdenhariam e que os 2 Many Djs usaram no seu mix-cd 'Waiting for the man', que ainda hoje se discute será o lamento de uma prostituta à espera do seu proxeneta ou de um junkie à espera do seu dealer...
Menos subtil é 'Heroin' que é no entanto uma musica genial na sua experimentação.
As minhas preferidas são no entanto as belissimas 'All tomorrow's parties' e 'Venus in Furs'.Ainda que a ultima seja uma ode ao sado-masoquismo....que não me seduz minimamente....
Geniais e marcantes aqui estavam os Velvet Underground que ainda iriam lançaram 'White Light / White Heat' nesse ano(que mania!) mas que a meu ver nunca conseguiram chegar ao nivel desta estreia, mesmo sem nunca serem dispensaveis...
Termina aqui a serie de posts para os anos terninados em 7, na esperança que este ano que decorre esteja à altura de tão bons pergaminhos e me obrigue a escrever mais um capitulo...Lcd Soundsystem, The Good, the Bad and the Queen, Arcade Fire ou Grinderman parecem querer fazer por isso...

Tenacios D - The Pick of Destiny - 2006


Olá caros bloggers,
é muito bom estar de volta porém, muito pouco à vontade para vos falar do cd que recentemente alugou um espaço na minha estante...
Depois deste album do Miles... bom...Tenacious D??
De qualquer modo, devo dizer-vos: Estava outro dia a fazer zapping quando me deparei com o cromo do Jack Black a actuar num talk show qualquer e apercebi-me que para alem da sua presença quase perturbadora, provinha da tv um Rock muito bem executado. Não demorou muito até que começasse a cantar, e foi aí que colei. Este tipo é mesmo bom, que voz gigante!
Claro, que este disco é para menores de 16 anos, com as tematicas politicas a serem abordadas com frases do genero: "The government totaly sucks you motherfucker", mas é um rock muitissimo bem executado, do melhor que há dentro do genero. A voz do Jack Black é poderosa e muitissimo versatil, e os riffs e solos das guitarras bem pensados e elaborados.
Este disco fez-me sentir um verdadeiro puto, quando ouvia Green Gelly ou Gwar, e via o Beavis and Butthead, só que, desta vez alguem se deu ao trabalho de ter uma banda para a palhaçada com qualidade! Acredito mesmo que o Jack Black,pensou: vou destruir a pouca credibilidade que tenho a fazer algo completamente estupido da melhor maneira que conseguir. Juntou-se a Kyle Gass e formou este duo Hard-Melancolico-Psicadelico-Teatral-Rock que se entitula (como não poderia deixar de ser) "the greatest band on Earth".
É um album de bom Rock que não não vai ficar na historia, mas é divertido, de excelente qualidade e... fixe!!
Inevitavelmente a ouvir: "Master Exploder"

21 fevereiro 2007

"Miles electric: a differente kind of blue" - Call it Anything (1970)


Estamos em 1970... o génio musical Miles Davis consolida a revolução do seu estilo musical com o lançamento de "A Tribute to Jack Jonhson". Revolução esta previamente iniciada com o álbum "Miles in the Sky" de 1968, principalmente com o tema Stuff, onde os instrumentos electrificados, a que Miles recorre, metem de lado o piano e contrabaixo (instrumentos clássicos e típicos de Jazz) e com o "Bitches Brew" (1969), com o qual Davis choca em definitivo o mundo do Jazz.
Mas é com a sua performance ao vivo na Ilha de Wight que Miles Davis deixa perplexa uma audiência de aproximadamente 600 mil pessoas.
Miles, com a sua característica ironia, intitula o concerto de "Call it Anything", onde acompanhado por um elenco de luxo, Jack De Johnette (bateria), Airto Moreira (percussão), Dave Holland (baixo), Chick Corea, Keith Jarrett (pianistas) e Gary Bartz (saxofone), impressiona tudo e todos com a sonoridade do seu trompete e com as descargas explosivas para o microfone. Apoiado de uma forma única e peculiar pelos seus distintos e talentosos convidados Miles aborda o Jazz de uma forma ritmada, minimalista, electrizante, psicadélica, provocadora e improvisada como nunca antes visto no panorama Jazziano. Miles e companhia deixam de lado a melodia lírica que envolvia o Jazz nessa altura e reportam-se para as batidas desconcertantes e ritmadas do Funk e Groove, que começam a conquistar a época do Flower Power. Miles cria a união perfeita entre o Jazz e o sentimento Flow que o caracterizavam.
"Call It Anything" (1970) é uma obra prima de 38 minutos, conduzida pela genialidade de Miles Davis e não menos genialmente suportada pelos soberbos músicos que o acompanharam nesta "trip" que percorre a história do Jazz (e da música, em geral!), desde as suas origens até a revolução que Davis provoca no Jazz, com esta interpretação.
Chamem-lhe o que quiserem...!

17 fevereiro 2007

U-Clic


Ontem fui ao Meu Mercedes é Maior Que o Teu assistir à apresentação do álbum de estreia dos U-Clic, Console Pupils. Já conhecia uma ou outra música deles, mas no fim do concerto convenceram-me e acabei por comprar o álbum.

Com uma pose robótica em palco, a lembrar os Kraftwerk, uma sonoridade que passa pelo electro-rock, retro, punk, pop barulhento dizem alguns...

Sangue novo para a música portuguesa, no mesmo seguimento de x-wife, a que devemos estar atentos.

12 fevereiro 2007

add n to x - "add insult to injury" (2000)


Fim de semana nas montanhas.

Os amigos preferidos, os conhecidos escolhidos, os desconhecidos já revistos vezes sem conta, as conversas sobre os mesmos temas, as mesmas gargalhadas, os sorrisos repetidos, os olhares perdidos em volta das verdes, outras tantas vezes perdidos em negras… as mesmas partidas de bilhar, os mesmos bares, a natural dificuldade em arranjar acento… onde, ao fim e ao cabo, há sempre mais um lugar. Perde-se a noite em recordar que metade de mim está no outro lado da península, ainda ibérica. E finalmente… retornar à ria cheio de saudades dos que não posso trazer embrulhados para casa (isto também é para ti “tulipeiro” dum raio… as saudades também já moram em roterdão).

Volta das montanhas apenas acompanhado com alguns velhinhos cd’s para alegrar o fófór.

Resolvi recordar a fase final de milénio, em que a musica ouvia-se em partilha, feita de dádivas pequeninas, entre amigos, sempre os mesmos, longe da internet, de outras tantas facilidades só permitidas a quem vivia no litoral. Na bagagem trouxe Add N to (X) – Add Insult to Injury (2000), Laika – Good Looking Blues (2000), Up, Bustle and Out - Light 'Em Up, Blow 'Em Out (1997), Peace Orchestra - Peace Orchestra (1999) , Nightmares on Wax - Carboot Soul (1999), Tosca - Suzuki (1999) e Gus Gus - Polydistortion (1997).

Nos 258km que separam a capital do Nordeste montanheiro e a Amesterdão portuguesa, percorri a memória recente, perdida em tantas e tantas conversas de amigos, em suspiros cumplices de quem vos sabe perto e por isso é feliz.

Salientando um, apenas porque tinha de ser, terá de ser, apenas hoje, porque amanha com outros pressupostos a escolha seria certamente outra – obviamente (óbvio momentaneo, já disse) – Add N to X.

Barry Smith, Ann Shenton and Steven Claydon formavam o trio mais explosivo do final dos anos noventa, no que concerne a musica electronica, experimental, sintetizada, sexualmente explicita, poderosa. Não os consigo definir. Passei horas a mais a contemplar este disco, a perguntar-me se alguem mais, nalguma escola secundária, estaria a fruir o poder pulsante e vibratório dos sintetizadores, dos loops. Tempos mais tarde descobri um coleguinha duas carteiras ao lado da minha que pensava como eu, também tinha o mesmo disco, também tinha o mesmo sentimento de incompreensão.

Afinal para a musica, a internet começou à bem mais tempo do que se imagina.

John, Paul, George & Ringo

'Turn off your mind relax and float down-stream,
It is not dying, it is not dying
Lay down all thought surrender to the void,
It is shining, it is shining.'

'Rubber Soul' dez 1965
'Revolver' ago 1966
'Sgt. Pepper's Lonely Hearts Club Band' jun 1967
'Magical Mistery Tour' dez 1967
'The Beatles (White Album)' nov 1968 (album duplo)
'Yellow Submarine' jan 1969
'Abbey Road' set 1969
'Let it be' mai 1970

Entre dezembro de 1965 e maio de 1970, ou seja, em menos de 5 anos os Beatles lançaram 8 albuns, um deles duplo.Nenhum era compilação ou colectanea de raridades ou lados b. Sempre musicas ineditas.

'I read the news today oh boy
About a lucky man who made the grade
And though the news was rather sad
Well I just had to laugh
I saw the photograph
He blew his mind out in a car
He didn’t notice that the lights had changed'

Quando a Virgin pediu a todos os compradores que fizessem um top dos melhores albuns do seculo o resultado foi :

1. Revolver -- The Beatles
2. The Bends -- Radiohead
3. Sgt. Pepper's Lonely Hearts Club Band -- The Beatles
4. OK Computer -- Radiohead
5. The White Album -- The Beatles ;

3 em 5? Nada mau! O New Musical Express tambem fez votações destas. Nos 100 mais apareciam esses 3 e mais 'Abbey Road' e 'Rubber Soul'.

1. Sgt. Pepper's Lonely Hearts Club Band, The Beatles
2. Pet Sounds, The Beach Boys
3. Revolver, The Beatles
4. Highway 61 Revisited, Bob Dylan
5. Rubber Soul, The Beatles

Este é do top dos 500 mais da Roling Stone Magazine que até é americana. Outra vez 3 em 5 e o primeiro lugar.Mais o 'White Album' na posição 10.

'Blackbird singing in the dead of night
Take these broken wings and learn to fly.
All your life
You were only waiting for this moment to arise'

Os Beatles lançaram o pop para um novo nivel, lançaram-se para aventuras no rock, blues, psicadelismo, rhythm and blues e o que mais houvesse. Foram não só um fenómeno musical mas também social. A partir dai a musica nunca mais foi vista da mesma forma. Ninguem como eles influenciou as bandas que vieram depois.Brit-pop? Falem com eles.

'When I get to the bottom
I go back to the top of the slide
Where I stop and I turn and I go for a ride
Till I get to the bottom and I see you again.'

Escrevi este post, mesmo tendo dito que não iria falar individualmente sobre os fab four, apenas para reafirmar que este é um campeonato à parte.
Obrigado pelas musicas John, Paul, George e Ringo.

'I used to get mad at my school
The teachers who taught me weren’t cool
Holding me down, turning me round
Filling me up with your rules.
I’ve got to admit it’s getting better
It’s a little better all the time
I have to admit it’s getting better
It’s getting better since you’ve been mine'

06 fevereiro 2007

'77 o ano punk

' Somos vitimas do tele-lixo barato.
Temos vários canais, mas só um é aproveitado.
É a tv-crânio...a rede nacional de emissores de pensamento em troca de revolta.
Enveneno-vos com versos como cianeto, abnego a ser boneco, tolerância zero! '

Em 1977 houve uma dupla do grande David Bowie 'Heroes' ( álbum do ano para o Nme) e 'Low'. Houve 'Animals' dos Pink Floyd. Houve '77' dos Talking Heads, 'Before and after science' de Brian Eno, 'Lust for life' e 'The idiot' de Iggy Pop, 'Marquee moon' dos Television, 'Trans-europe express' dos Kraftwerk, 'Suicide' dos Suicide. Até houve 'Exodus' o mais louvado de Bob Marley & the Wailers.
Mas se na musica '77 ficar para a história por alguma razão será pela explosão do punk.
Em '77 houve dupla ( estava na moda...) para os Ramones, 'Rocket to Russia' e 'Leave home'.Houve álbums the The Damned, The Saints, Buzzcocks, Dead Boys e uma serie deles mais.
E claro, houve as estreias de Sex Pistols e The Clash, respectivamente 'Nevermind the bollocks, here's the Sex Pistols' e 'The Clash'.
E se é verdade que poucos álbuns são tantas vezes referidos e servem de influencia como o dos Sex Pistols eu sempre fui um muito maior fã dos Clash.
Por várias razões.
Primeiro nunca vi nos Clash a promoção e campanha que sempre vi nos Sex Pistols.Nunca houve um McLaren por tras dos Clash. Nunca houve um anti-heroi ou icone como Sid Vicious nos Clash ( que icone este...não sabia tocar,era um junkie e até assassinou a mulher...).
O álbum é muito bom mas...sempre achei que vivia muito de Johnny Rotten. Eram dele as excelentes e sarcasticas letras, era em grande parte dele a atitude,ou pelo menos a parte da atitude que de facto tinha interesse, o confronto com o governo, a decepção, a revolta. O resto, perdoem-me os puristas, era mais fogo de vista que outra coisa.
A apoiar a minha teoria...o facto de nunca mais terem feito algo relevante...
Já os Clash desde cedo mostraram serem uma banda muito mais séria.As letras eram de revolta, como era de bom tom na epoca, mas havia verdadeiras preocupações politicas na banda.Foram uma banda marcante a vários niveis, dos primeiros a incorporar influências reggae e dub com proposito em musicas de cariz rock, nunca tiveram medo de arriscar e por em causa a sua aura de punk, nunca tiveram medo de serem apelidados de vendidos.
Tiveram nos anos seguintes uma bela carreira com 'Give'em enough rope' de '78, 'London calling' de '79 (obra-prima absoluta e dos melhores de sempre a todos os niveis), 'Sandinista' de '80 e 'Combat rock' de '82.A propósito de 'London calling' e 'Sandinista' lembrar que apesar de serem albuns duplo e triplo respectivamente, foram por imposição da banda lançados a preço de album simples e duplo numa clara demonstração de preocupação pelos fãs e de manutenção de valores iniciais da banda. Depois foram abandonando membros da formação original e acabaram por não terem o fim em grande que mereciam. Mas o seu legado ficara para sempre. Prova disso os depoimentos na caixa de singles ( ou noutros sitios...) recentemente lançada de gente como Irvine Welsh, Ian Brown e Mani dos Stone Roses, Bono e Edge dos U2, Bobby Gillespie dos Primal Scream (ainda hei-de falar deles aqui...) ou até Mike D dos grandes Beastie Boys que estava presente quando Paul, o baixista que agora trabalhou com Damon Albarn, partiu o seu instrumento naquilo que viria a ser a capa de 'London calling' num concerto em New York.Eram uma banda conhecida pela potencia dos seus shows ( passaram por Portugal...) e o seu album ao vivo prova isso.
Mas na estreia os Clash eram força, raiva, atitude, revolta, vontade de mudança.
Tinham grandes malhas como 'Janie jones', 'Remote control', 'white riot' (que chegou a ser erradamente conotada com racismo quando não era nada disso que queria dizer...Strummer so pedia aos seus colegas brancos que tivessem um bocado da furia que invadia na altura os negros de Brixton e de outras partes da Inglaterra, o tal 'white riot(...)a riot of my own'), 'London's burning' ou 'Police & thieves' ( já na altura uma versão de uma musica reggae/dub de Murphy e Lee 'Scatch' Perry ).E tinha 'I´m so bored with the USA', eles que viriam a ser grandes nos states.Nos continuamos 'bored' com eles e a gostar muito dos Clash.Punk's not dead!
Lugar comum mas...não resisti a acabar assim...ou...então...
'When they kick at your front door,
How you gonna come?
With your heads on your head,
Or on the trigger of your gun?'
Só falta um.

02 fevereiro 2007

Antibalas AFrobeat Orchestra "Liberation Afrobeat Vol. 1" (2001)



A nova geração do Afrobeat está aí...
Directamente de Brooklyn nascem os seguidores do incomparável cantor e activista Nigeriano Fela Kuti, o criador do AfroBeat.
O som de Antibalas Afrobeat Orchestra une o jazz, o funk e as melodias inconfundíveis dos ritmos do Oeste Africano, a uma intensa mensagem politica, humana e espiritual, que provoca e ataca o sistema capitalista e incita a insurreição em variadas línguas. Para criar a sua contagiante sonoridade Antibalas recorrem ás raízes dos seus elementos, espalhadas um pouco por todo o mundo (Europa, Asia, America latina, Cuba... ) e à qualidade musical dos seus distintos convidados e participantes de álbuns, nos quais se incluem o extraordinário baterista, e fiel companheiro do "Pai" Fela Kuti, Tony Allen (por muitos considerado, desde a muitos anos, o melhor baterista do mundo), o enérgico trompetista Babatunde Williams, o saxofonista e cantor Femi Kuti (filho de Fela Kuti e fiel seguidor da sua obra), os bateristas Jojo Kuo e Ola Jagun, o guitarrista Oghene Kologbo e ainda o teclista Dele Sosimi.

Os dois primeiros álbuns de Antibalas Afrobeat Orchestra, “Liberation Afrobeat Vol. 1” (2001) e “Talkatif” (2002), têm o rótulo da magnífica produtora NinjaTune. Seguidamente AntiBalas colaboraram com Baaba Maal e Taj Mahal em “Red Hot & Riot”, um tributo a Fela Kuti destinado a angariar fundos para combater a epidemia da SIDA em Africa, lançando depois o álbum “Who Is This America” (2004). No currículo de Antibalas Afrobeat Orchestra também se encontram várias participações em diversas compilações de Afrofunk ao lado de verdadeiras "Bestas" da música Africana tais como Fela Kuti, Hugh Masakela e Manu Dibango, entre outros.
No trabalho de Antibalas tenho que destacar ainda o remake do clássico de salsa "Che Che Cole” que conta com a participação da excelente vocalista Mayra Vega, incluído no seu último EP de 5 músicas “Government Magic”.

Antibalas Afrobeat Orchestra... O bixo do coco entro en minha casa!