29 novembro 2006

Red Snapper - "Making Bones" - 1998


Tenho uma data de sentimentos estranhos ao escrever sobre este album. É antigo, não é o tipo de musica que costumo ouvir, e já não se faz nada assim tão cru há alguns anitos.
A minha empoeriada estante levou-me a escolher este cd como banda sonora de um fds cheio de trabalho e acabei por passar os dias seguintes a "cantarolar" algumas das musicas.
Este album foi muito inovador na altura que foi lançado, não no estilo, mas na sonoridade, e marcou-me profundamente numa altura em que eu andava a descobrir "the good side" da musica electrónica.
Conotados como acid-jazz, ou electronic-dance, para mim estes tipos são uma banda de hip-hop puro, com uma imensas influencias drum´n´base.
São mesmo uma banda! Tocam instrumentos e tem um M.C. com uma voz grave e visceral inconfundivel. A sua musica anda toda à volta de uma bateria e de um baixo agressivos e exploradores, há um saxofone que de vez em quando quebra a frieza deste duo com um cheirinho de jazz... o resto são pormenores, dos bons obviamente!
Outra coisa que tem piada neste album é o facto de a banda nos fazer descansar um pouco entre as musicas mais pesadas, com calmarias como a "Image of You" que fazem lembrar um pouco Koop ou Cinematic Orchestra. (ou seja, que nada têm a ver com o resto).
Sem duvida um disco a explorar por qualquer amante de algum tipo de muisca electrónica.

ps: Se não este post não vos suscitar qq tipo de interesse, façam-me um favor pessoal e ouçam a fantastica "The Slepless", e passem-se com o groove do baterista a soltar e prender das cordas da tarola durante a musica.

22 novembro 2006

The Beatles: Love


Apesar de na última semana já se ter falado e escrito muito sobre o álbum, não posso deixar de escrever algo sobre a grande banda do século XX.
Um trabalho de Giles Martin e do pai que resultou numa colectânea de músicas com novas combinações nalguns casos, reconstruções noutras, criação de novos sons noutra, enfim é um álbum dos Beatles!!! Dou duas razões para ouvirem este disco, a primeira porque 75% do álbum compreende as músicas compostas entre 67 e 69 (para mim, e para toda a gente penso eu, a fase mais criativa e também psicadélica dos Beatles) e segundo porque apresenta reconstruções de autênticas "obras de arte", o que não aparenta ser muito fácil. Confesso que estou a gostar bastante do disco (sim, estou ainda na fase de devorar o disco) o que não deixa de ser estranho uma vez que nunca pensei que viesse a gostar de versões de músicas dos Beatles...talvez a razão resida no facto das reconstruções serem muito ligeiras, não alterando a melodia e harmonia da própria música.
Recomendo a todos os fãs! Os que conhecem de nome os Beatles, recomendo que ouçam primeiro o White Album, o Revolver, Rubber Soul, SgtPeppers..., etc

21 novembro 2006

ali farka touré / toumani diabaté "in the heart of the moon" (2005) e toumani diabaté / symmetric orchestra "boulevard de l'independence" (2006)


Pretexto não houvesse e estaria aqui a falar deste senhor na mesma. Mas há. E bom. Monsieur Toumani Diabaté é o deus da Kora (espantem-se com 21 cordas!!!), esse fabuloso instrumento musical do longínquo Mali, vai inebriar os presentes no SET (Sons em Trânsito) em Aveiro. Recordo o concerto assustador que deu no FMM (Festival Musica do Mundo) de Sines para propalar estes dois fantásticos discos, um dos quais com o seu amigo de sempre, o mago da guitarra e do blues - Ali Farka Touré O primeiro álbum que vos trago é In the Heart of the Moon, dueto entre Touré e Toumani, roda há exaustão há longos meses “no toca fitas” cá de casa. Não há palavras que traduzam a sensibilidade e gentileza que brota deste dueto. Ao nível de duetos inolvidáveis como o de Carlos Paredes / Charlie Hayden ou Chick Corea / Bobby McFerrin. É imperativo ouvi-lo e deleitar-se com a suavidade possível.


O seguinte albúm a servir é o Boulevard de I'Independence exactamente o disco que sucedeu ao fantástico OXFAM Project de Damon Albarn e Toumani. Escutem. Não há palavras para exprimir a que imaginário se reporta este disco.

Ah!... de realçar que este dois albúns fazem orgulhosamente parte da estante reclamando um lugar primeiro…numa estante onde o segundo lugar não existe.

Espera-se um concerto mágico do deus da kora, sem seu Amigo desaparecido Touré, mas com o auxílio voluntarioso da sua Symmetric Orchestra. Venham!

17 novembro 2006

Cibelle "The Shine of Dried Electric Leaves" (2006)

Cibelle Cavalli, é uma cantora paulista que aos cinco anos decidiu explorar o mundo da música vagueando de instrumento em instrumento passando pelo piano, percussão e voz. Na adolescência procurava aparecer em spots publicitários ou em ser actriz, talvez com o único intuito “surgir”… Mas foi na voz que encontrou o meio para atingir o fim que exaustivamente procurava, o destino juntou-se à sua vontade e tem vindo a realizar os seus desejos. Os seus trabalhos apresentam-se como música contemporânea brasileira, numa combinação entre sons electrónicos e acústicos, sons urbanos, bossa-nova e jazz. Neste novo álbum “The Shine of Dried Electric Leaves” podemos encontrar músicas como “Green Grass” de Tom Waits e “Cajuína” de Caetano Veloso. É um projecto multi-cultural, descrito através de linguagens e ritmos com apenas um limite… o inigualável… Ouvir este disco é uma vontade incessante de querer mais, as músicas num mesmo estilo são bastantes diferentes entre si, um simples repeat não é suficiente para tantos detalhes...

"phoenix" - Cibelle

Despeço-me da estante com este post e vídeo onde Cibelle Cavalli e Devendra Banhart interpretam a música “London, London” – composição de Caetano Veloso no exílio em 1969, espero que gostem;)


13 novembro 2006

mountain goats "the sunset tree" (2005)


John Darnielle é uma autêntica máquina de produzir canções, o seu timbre nasal e a predominância da guitarra acústica é a sua imagem de marca. No universo do indie-rock e do lo-fi, esta é uma banda que se distingue prontamente das restantes. De 91 a 95, Darnielle fez questão de apenas editar cassetes, isto reflectiu-se na edição de 5 cds entre 95 e 97, sendo que hoje já tem editados 14 albuns mantendo-se na 4AD desde 2002, altura do grandioso Tallahassee. The sunset tree não lhe fica nada atrás mas comporta-se de modo diferente mostrando-se mais rebelde, com letras desafiantes onde se pode notar uma raiva inerente aos tempos de juventude do cantautor. As composições sonoras acompanham na perfeição as letras, formando um conjunto sublime que por vezes parece simples demais, belo demais, marcante demais para quem o escuta com a atenção devida!

"dilaudid" - Mountain Goats

08 novembro 2006

Nuno Prata - "Todos os dias fossem estes outros"


Hoje não vou escrever sobre musica, mas sobre um problema pessoal: Tenho um CD que se recusa a sair do meu leitor do carro.
Ouvi há uns tempos na RUM (no programa Português Suave) um tal de Nuno Prata que tinha uma musiquinha engraçada, não me saiu da cabeça. Comprei o CD, não me saiu do leitor.
Antes de descobrir que se tratava do antigo baixista dos Ornatos, pensei: “ bem, se o Manel sabe que este tipo lhe anda a copiar a forma de cantar, o sotaque e as circunstancias temáticas das letras… vai haver estalo”
Ou seja, a musica deste tipo é muito na onda dos Ornatos, Pluto, e Supernada, com a diferença de ser um som quase todo acústico. São usados uma série de instrumentos invulgares (como o kazoo, latas, bombo de fanfarra, reco-reco) para fugir do som mais pesado das bandas acima referidas, mas a essência esta toda lá. Pronto, também mete um pouco de bossa-nova… Para quem já viu ao vivo, é muito do género do projecto “Foge Foge Bandido” com mais melancolia e crítica social.
É um disco levezinho, que não deixa marcas profundas, mas é muito bem concebido e nada presunçoso.
Definitivamente a ouvir, para quem venera o Manel e o bom pop-rock português.

07 novembro 2006

Adem "Love and Other Planets" (2006)

Adem é uma banda britânica bastante recente com apenas dois álbuns editados. “Homesongs” (2004) foi a estreia, o primeiro passo (certamente de muitos) que após ter sido bem acolhido pela crítica garantiu com segurança o lançamento deste segundo álbum. “Love and Other Planets” fala de amor e das suas facetas numa escala proporcional ao universo tornando exígua a distância anos-luz entre estrelas, planetas e galáxias… um universo antípoda daquele que conhecemos. Cada música pertence a uma parte deste desconhecido ambiente cósmico criado por Adem Ilhan onde melodias e sentimentos bem terrestres se movem do infinito até nós...

"launch yourself" - Adem

02 novembro 2006

lhasa "the living road" (2003)


Conheci Lhasa num quarto de hotel acordado por um anjo de olhos azuis e pele clara. Desde logo aquela melodia celestial me cativou. Na altura foi-me mostrada a música "de cara a la pared" do album de estreia La Llorona. Lhasa de Sela tem uma voz incomum, densa e quente, que tanto transmite melancolia como alegria. Logo após o grande sucesso que o primeiro album obteve, Lhasa "fugiu" para França e ai se juntou a alguns elementos da sua numerosa família, trabalhando num circo. As viagens devem-lhe estar no sangue. Desde pequena que a sua família fazia uma vida de nómadas entre o México e os EUA. Aos 20 anos mudou-se para a parte francesa do Canadá e foi aí que começou a estabelecer contactos no mundo da música. De 1998 até 2003, passaram cinco anos de viagens circenses por terras gaulesas, das quais resultou o segundo albúm denominado "The Living Road". As letras das músicas reflectem essas experiências de vida, com canções em espanhol, inglês e francês. Fica aqui o video, de uma actuação ao vivo, da música "de cara a la pared" do primeiro albúm. Mais uma vez tive dificuldades em encontrar um registo sonoro ou audiovisual do album que vos apresento. Espero que gostem e que vos abra o apetite para explorar esta autêntica preciosidade!

Badly Drawn Boy "Born in the U.K." (2006)

Badly Drawn Boy é uma banda britânica de Manchester. Damon Gough canta, toca e faz os arranjos de todos os seus álbuns. A música que compõe parece ter uma miscelânea de influências e as imagens que escolhe para os álbuns retratam bem isso… Gough toca um pouco de tudo mas mais do que um multi-instrumentista tem habilidade suficiente para fazer parecer uma banda e não mero desempenho unipessoal. As suas letras são repletas de pormenores do dia-a-dia e por isso por vezes parece que são feitas para quem ouve. Este novo álbum refere-se praticamente à sua infância e em como foi crescer em Inglaterra. “Born in the U.K.” foi gravado nos Rockfield Studios com Nick Franglen dos Lemon Jelly, talvez por isso seja um pouco diferente dos outros e vê-se bem isso comparando com o anterior álbum, este não é tão intimista. Apesar de gostar mais dos três primeiros, este último tem a forte presença de um piano que também me seduz… Gough tem claramente um grande talento de certeza que mesmo tocando sem o seu gorro de estimação:)

"the way things used to be" - Badly Drawn Boy

Os seus concertos são originais, cada um diferente do próximo, Damon Gough tem uma grande capacidade de improviso e exterioriza o que lhe vai na alma no momento, dependendo do seu estado de espírito, do cenário onde se encontra e do publico que o acolhe. Prova disso foi o seu concerto há três anos no Sudoeste num ambiente bastante descontraído com uma plateia (de poucas pessoas…) que se apresentava de chinelos, calções de banho e bikini’s – directamente de uma eleita praia alentejana – que ao fim da tarde (ainda com sol muito alto) se foi aglomerando para ver um dos primeiros concertos da noite… tanto à-vontade também da parte de Gough que tornava por vezes difícil o reconhecimento de algumas músicas mesmo para quem conhecia bem os originais… mesmo assim num estilo bastante invulgar cativou deveras o público! Deixo-vos um pequeno vídeo onde num ambiente igualmente relaxado mas mais vestido:) o sorridente e criativo Gough brilhou numa qualquer sala em Paris interpretando o tema “Like a virgin” da Madonna:)